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    O Livro das Ilusões -

    Emil Cioran

    Rocco
    2014
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788532528834
    Português Brasileiro
    4.2
    64 avaliações
    Leram104Lendo15Querem218Relendo0Abandonos9Resenhas9
    Favoritos18Desejados218Avaliaram64

    Escrito quando Cioran tinha apenas 25 anos, e ainda inédito no Brasil, O livro das ilusões faz uma profunda reflexão sobre a música e o sofrimento, temas que se tornariam recorrentes na obra desse filósofo romeno radicado na França. Com tradução (direto do romeno) e prefácio de José Thomaz Brum, maior especialista na obra de Cioran no país, o livro traz os pensamentos de um jovem que sente intensamente e reflete sobre os sentimentos e a vida: a dor inevitável, a descoberta da música e da possibilidade de fugir de si mesmo através das notas de compositores clássicos como Mozart e Bach. Do autor, a Rocco relançou Breviário de decomposição, Exercícios de admiração, História e utopia e Silogismos da amargura.

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    Caio Lobo26/02/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Niilismo" místico e ascese pela dor.

    O meu primeiro contato com Cioran foi com ele jovem e ainda romeno e me impressionei com a escrita arrebatadora. Lendo distraidamente, seus aforismos parecem muito tristes e até desesperadores, uma angústia sem fim. Talvez por isso foi chamado de niilista. Mas a leitura mais atenta me fez perceber que ele é um gozador e usa o niilismo como linguagem para aproximar de Deus, pois essa é a única linguagem que os homens entendem atualmente na sua porca existência, então Cioran usa e abusa do vazio e inutilidade da existência humana para levarnos ao verdadeiro Vazio místico. Cioran trata destes assuntos na obra: dor, angústia, amor, música, morte e santidade. A dor é o que eleva o homem, temos de aprender a amar a dor, pois amando-a não sofreremos com sua chegada. A dor extrema até transfigura a mente, então e bem-vinda toda doença e ferida. A angústia está em saber que tudo é vão aqui em baixo, tudo é um absurdo, principalmente a morte; logo a morte é o maior dos absurdos, então não tem sentido o suicídio. Só o eterno pode acabar com essa angústia, pois é de um absurdo que não tem sentido algum ao homem, mas o encanta por sua estranheza. O amor é sublime mas absurdo. O sexo é uma forma de êxtase divino, momentâneo e rápido, ao mesmo tempo perigoso, e devemos fugir dele, sempre torcendo para encontrá-lo. A mulher é fraca e sua fraqueza é tão forte que derruba o homem. Fuja das mulheres, mas sempre as ame. Cioran falando de música é de todo sublime, realmente entendeu a alma da música. Bach é Deus, e tão Deus que criou um mundo melhor que o de Deus. Suas harmonias não levam aos céus, são o próprio Céu. Em Bach somente o Paraíso importa, mas em Mozart não, tudo importa e brinca com a maravilha da vida enquanto nos carrega aos céus. Com Mozart tudo é alegria. Com Beethoven não, aqui só há tensão redentora que nos leva a um Céu de sofrimento. Morrer é o verdadeiro sentido da vida, las parece que nunca alcançamos a morte, todos estão morrendo ao meu redor, por que eu ainda não morri? Em Cioran a santidade é o que vence o niilismo, a única coisa que vence e por isso mesmo que a maioria foge da santidade. Ser santo é transcender a natureza, a dor, a morte, o sexo e o absurdo não tem mais efeito no santo. Para o santo a dor é prazer, a morte é vida eterna, o êxtase divino faz do sexo uma poeira e o absurdo tem sentido. Mais impressiona Cioran são as santas. Como pode um ser tão pecaminoso como a mulher ter as santas mais sublimes, que ultrapassam de longe os santos? Isto é um mistério que ele não compreender e nem que compreender, pois os mistérios insolúveis são o sabor da vida. Podemos dizer que em Cioran há 5 formas de vislumbrar Deus: o amor, o orgasmo, a santidade, as santas e Bach.

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    4.2 / 64
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas2%
    Emil Mihai Cioran profile picture

    Emil Mihai Cioran

    Foi um escritor e filósofo romeno radicado na França. Após estudar Ciências Humanas no colégio, Cioran começou a estudar Filosofia na Universidade de Bucareste aos 17 anos. Ao ingressar na universidade, aproximou-se de Eugène Ionesco e Mircea Eliade, os três permaneceriam amigos por muitos anos. Fez amizade com os futuros filósofos romenos Constantin Noica e Petre Tutea durante o período em que receberam ensinamentos de Tudor Vianu e Nae Ionescu. Cioran, Eliade e Ţuţea tornaram-se adeptos das idéias de seu mestre Nae Ionescu – ou seja, uma corrente denominada Trairism. Absorvendo influências Germânicas, seus primeiros estudos centralizaram-se em Immanuel Kant, Arthur Schopenhauer, e principalmente Friedrich Nietzsche. Tornou-se um agnóstico, tomando por axioma "a inconveniência da existência". Durante seus estudos na Universidade, Cioran também foi influenciado pelas obras de Georg Simmel, Max Stiner, Ludwig Klages e Martin Heidegger, e também pelo filósofo russo Lev Shestov, que aliou a crença na arbitrariedade da vida à base de seu pensamento. Cioran graduou-se com uma tese sobre Henri Bergson; mais tarde, porém, renegaria Bergson, alegando que este não compreendera a tragédia da vida.

    31 Livros
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    Sibiu, Roménia

    Emil Mihai Cioran