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    O perfeito cozinheiro das almas deste mundo -

    Oswald de Andrade

    Biblioteca Azul
    2014
    286 páginas
    9h 32m
    ISBN-13: 9788525054883
    Português Brasileiro
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    Poesia, prosa e paixão na São Paulo de 1918 Passados mais de vinte anos da primeira edição de O perfeito cozinheiro das almas deste mundo, a Biblioteca Azul relança a transcrição do diário coletivo dos frequentadores do apartamento de Oswald de Andrade no centro da cidade de São Paulo, incluindo reproduções e textos críticos Reunindo reflexões, recados, poemas, desabafos, ideias, caricaturas, recortes, piadas, provocações, reportagens e diversas colagens registradas por seus importantes frequentadores, o grande livro negro que ficava localizado na entrada do apartamento da rua Líbero Badaró, constitui uma obra que hoje poderia ser definida como “interativa”, social, coletiva e aberta. Como um blog. Ou uma rede social. Estamos, entretanto, em 1918, e convém analisar a transcrição desse grande caderno por vários de seus meandros: um romance caótico e desencontrado; um objeto de arte; uma invenção gráfica para além do livro – a forma e o conteúdo, em suma, são testemunhas de uma geração que ensaia os primeiros passos do movimento modernista e da Semana de Arte Moderna, que surgirá quatro anos depois, em 1922. As anotações do diário e toda a produção inovadora documentada fazem de O perfeito cozinheiro das almas deste mundo, que a Biblioteca Azul acaba de reeditar, um importante registro sobre a belle époque paulistana, evidenciando a atmosfera entusiasta de uma cidade que se transforma e se revela por meio de sua arte, saltando ao topo político como maior centro econômico do país. Cercado por figuras como Monteiro Lobato, Vicente Rao, Léo Vaz, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Ignácio da Costa Ferreira, cada qual com seus pseudônimos e frequentadores assíduos da garçonnière, Oswald de Andrade faz no caderno os primeiros esboços de seu Miramar, personagem que ganhará seu livro próprio em Memórias Sentimentais de João Miramar, publicado anos depois, em 1924. Além de toda efervescência cultural, brota das páginas do diário uma história de amor. Deisi, a Miss Cíclone – uma jovem normalista vinda do interior do Estado –, surge em meio ao luto de uma recente turbulência amorosa na vida de Oswald. Cortejada e desejada por todos da garçonnière, a bela moça de dezenove anos também se torna frequentadora do apartamento da Líbero Badaró, anunciando os princípios de uma mulher moderna que anseia pela liberdade e independência. Consagrada como a personagem fundamental desse ensaio sobre a vida mundana, Miss Cíclone será a protagonista do desenrolar poético e fatalista desse romance. Nas palavras de Haroldo de Campos, a heroína ganha status de “pré-Pagu” ou ainda a “espécie de ghost writer desse agendário coletivo, dessa escritura originariamente plural, que flui por revezamento e contraste, por idílio e trocadilho, ponteio e contraponto, exercício estilizante e mordacidade paródica”. A presente edição conta com reproduções coloridas de várias páginas, que nos permitem vislumbrar a composição da obra em suas cores originais, rabiscos, rasuras, carimbos, estrutura, cronologia e dimensão, promovendo uma viagem direta às noites da rua Líbero Badaró. O contato direto com a grafia de seus frequentadores e as intervenções e criações artísticas de cada personagem, bem como os registros pessoais e históricos da época, resgatam as impressões da São Paulo de 1918. O perfeito cozinheiro das almas deste mundo é, apesar de plural em sua apresentação literária, documento único e particular sobre os aspectos culturais da metrópole paulista. Imprescindível para todos os que acompanham a trajetória da arte brasileira, principalmente da cidade de Mário e Oswald de Andrade. O Autor Oswald de Andrade (1890-1954) foi o epicentro do modernismo no Brasil. Bon vivant, dramaturgo, ensaísta, escritor e poeta, Oswald foi autor dos dois manifestos modernistas, o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, de 1924 – para muitos um prenúncio tropicalista, escrito em prosa poética, acompanhando outros processos vanguardistas como o Manifesto Surrealista de André Breton, publicado no mesmo ano – e o “Manifesto Antropófago”, de 1928 – publicado na Revista de Antropofagia. O último manifesto consiste numa síntese do modernismo brasileiro e é explicitamente embasado em escritos de Marx, Freud, Breton, entre outros autores. Além dos manifestos, Oswald contribuiu ainda mais para a formatação de uma nova fase de produção cultural brasileira. O caráter inovador da sua obra abriu caminho e influenciou diretamente vários artistas.

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    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira  profile picture

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira

    Articulador e ativo participante do modernismo lançado em 1922, Oswald de Andrade foi o escritor mais rebelde de todo o movimento e o que mais tendeu, em sua prática, à formulação de utopias. Assumindo posturas radicais de esquerda, quis revolucionar não só a arte, mas também os costumes, as instituições e a vida social como um todo. De família rica, José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo SP em 11 de janeiro de 1890. Iniciando-se no jornalismo em 1909, como crítico teatral, em 1912 viajou pela primeira vez à Europa, de onde voltou com uma estudante francesa, Kamiá, a primeira de suas várias mulheres, e novidades de vanguarda como o "Manifesto futurista" de Marinetti. Bacharel em direito (1918), tornou-se amigo de Mário de Andrade, a quem lançou pelo Jornal do Comércio através do artigo "O meu poeta futurista". Em 1923, passou nova temporada na Europa, vivendo com a pintora Tarsila do Amaral, com quem mais tarde formalizaria o casamento. Lá conheceu importantes renovadores das linguagens artísticas, como Picasso, Blaise Cendrars, Erik Satie, Léger, Cocteau e Brancusi. Em 1924, publicou Memórias Sentimentais de João Miramar, um de seus livros mais conhecidos, e o "Manifesto da poesia pau-brasil", de ampla repercussão. Em Paris publicou Poesia pau-brasil (1925). Após viajar pelo Oriente Médio, retomou em São Paulo a atividade jornalística e lançou A estrela de absinto (1927; um dos romances da Trilogia do exílio). Colaborador assíduo dos principais veículos da pregação modernista, como as revistas Klaxon e Verde, fundou em 1928, com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado, a Revista de Antropofagia, que já em seu número inicial divulgou um dos textos mais polêmicos de Oswald, o "Manifesto antropófago". Dissidente, a essa altura, do grupo mais ligado a Mário de Andrade, lançou nesse texto, "contra todos os importadores de consciência enlatada", um de seus lemas de maior futuro: "Tupy or not tupy, that is the question." Em 1931, ingressou no Partido Comunista Brasileiro e começou a escrever sobre política. Separado de Tarsila e vivendo com Patrícia Galvão (Pagu), precursora do feminismo, fundou com ela O homem do povo, periódico de curta duração que pregava a luta operária. Casou-se outras duas vezes, candidatou-se em vão à Academia Brasileira de Letras e publicou intensamente: Serafim Ponte Grande (1933), O homem e o cavalo (1934), A escada vermelha (1934), A morta (1937), O rei da vela (1937), Marco Zero: a revolução melancólica (1943). Sempre rebelde e contestado por seus contemporâneos, Oswald de Andrade morreu em São Paulo em 22 de outubro de 1954, ano da publicação de suas memórias, Um homem sem profissão, sob as ordens de mamãe. Cerca de dez anos depois, sua obra nada canônica começou a ser revalorizada pelos intelectuais concretistas e pelos movimentos de poesia jovem

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    São Paulo, Brasil

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira