EU SEI QUE A CONTA DE SOMAR NA CAPA NÃO ESTÁ CORRETA...
... mas quando você travar contato com o conteúdo de TORNANDO 2+2=5, de John H. Zenger, não se importará tanto assim e compreenderá o porquê do desacerto proposital. O assunto do livro é um só: a Produtividade. Contextualizada com as esgrimas doutrinárias e ideológico-administrativas das últimas décadas, a busca pela produtividade é apresentada como o elixir reparatório das disputas comerciais, da ascensão dos indianos e asiáticos como concorrentes produtivos globais e de como solaparam o comércio de serviços internacional, via custos menores e consequente competitividade. Zenger se dispõe a entregar o ouro de como se alcançar maior produtividade, sem a qual as empresas americanas, mais caras e de serviços mais custosos – em especial pela pressão interna exercida pelos salários e remunerações de funcionários, todos sempre muito bem pagos e sempre querendo ganhar mais – e o foco são os gerentes e seus subordinados, os funcionários. Mais bem geridos, mais bem treinados e muito melhor valorados não por seu atual empregador – posto o fim do emprego vitalício – mas sim pelo mercado no qual podem trabalhar, como um todo, os funcionários não mais são guiados pela mão paternal de gerentes e supervisores, e atingem a idade adulta, ganham responsabilidade e empowering, e atuam ombro e ombro com gerência e empresa, rumo ao paraíso da produtividade aumentada. Trechos conceituais são pouquíssimos neste livro, sendo o maior volume de seu conteúdo voltado para a praticidade. Com tópicos recorrentes como “o que fazer” e “considerações e reflexões finais”, o autor não guarda segredos, enfia o dedo na ferida e trata da prática, do que realmente importa, para a maior produtividade. Cumpre o que se propôs. E cumpre com mérito. Um ótimo livro para quem lidera e é liderado, ou seja, ótimo para todos.
