"Guerreiros de Esparta"
Reportagem sobre a cultura espartana, de maneira simplificada, com destaque para a educação de rigidez militar, desapego ao acúmulo de riquezas e vaidades, maior liberdade para as mulheres e senso de coletividade disciplinar na vida em sociedade.
Entre as curiosidades, a ausência de muralhas na cidade (frente a notória capacidade militar), a desvalorização ao comércio e esquadras navais, permissibilidade ao infanticídio (no que consideravam sinais de fraqueza, como problemas físicos), a polêmica sobre relações homoafetivas entre tutores e aprendizes, e a poliandria na expectativa da geração de mais homens.
A Batalha das Temópilas e a Guerra do Peloponeso foram abordadas em considerações breves, destacando a visão de Esparta sobre governo, sociedade e disposição para a guerra.
Faltou citações sobre a mitologia valorizada, onde Ares, segundo informações na net, seria a divindade mais inspiradora e cultuada.
"O falso paciente zero"
Reportagem interessante, sobre investigação norte-americana, nos anos 80, para encontrar o "paciente zero" da AIDS no país. O contexto era preconceituoso, o que levou à conclusões semelhantes, na associação da doença estritamentente com gays, ignorando possibilidades diferentes, tratadas no texto.
Em outro momento a revista havia abordado sobre primatas na África com endemia similar, mas que não se desenvolviam nos humanos (não havia contato rotineiro). O texto dissertou então sobre a migração-evolução a partir de episódios de fome desencadeada por guerras no início do século 20, levando à aproximação com chimpanzés na caça e desdobramentos viscerais no esquartejamento e distribuição das presas.
Outro ponto, segundo o texto, é que a cultura dos cassinos e prostituição atraiu militares e o contexto foi profícuo à disseminação do vírus para outras nações, como os EUA, com Cuba e Haiti favorecendo.
Considerações viáveis, mas também a criação de bode expiatório para cidadãos norte-americanos, que eximiam-se assim da difusão. Foi Cuba e Haiti... Ah, sei, sei.... Na gripe espanhola do início do século 20 os jornais também manobraram para associar a pandemia com espanhóis, ignorando os marinheiros dos EUA.
A humanidade e suas pérfidas escolhas de guerras favoreceram, no final das contas, muitas das desgraças.
"A princesa e a freira"
Mary Del Pryore faz paralelo entre a Madre Tereza de Calcutá e Princesa Diana, em pontos como míséria e glamour, fama e desconhecimento, na disposição para a benevolência. Não se trata de crítica, mas de reflexão e inspiração para a ação - apesar de diferentes contextos, possibilidade presente e que faz diferença.
"10 mulheres guerreiras"
Listas dividem opiniões, em debate positivo, e na minha incluiria Débora, a juíza e profetiza citada na Bíblia. Oras, algumas das mulheres citadaS na revista são ilustres desconhecidas, eNQuanto Débora foi, será e continuará sendo inspiração para milhares de mulheres cristãs ou não através dos séculos... até a consumação.
"Piquenique sem roupa"
Gostei das considerações sobre a pintura de Manet, que é alvo de dúvidas e questionamentos sobre a ilustração inusitada - intriga e desafia observadores.
Em linhas gerais, é imagem de revolução, desapegando-se de conceitos estabelecidos, como o nu associado apenas à arte sacra ou da mitologia greco-romana. Manet trouxe para cenário contemporâneo e cotidiano - um piquenique - ao mesmo tempo que não é de todo alienada à realidade retratada, pois o bosque mostrado era conhecido como local de encontros da prostituição.
Essa edição está bem legal, com outras reportagens também curiosas, como a "Conquista do Oeste" (desmistifica o romantismo, explicitando a violência com que se desenrolou) e a história do tenente japonês "Hiro Onooda" (com disciplina samurai, permaneceu 29 anos em posto esquecido nas Filipinas, acreditando que a guerra não tinha acabado - segundo os relatos, chegou a ferir e matar pessoas).