Recentemente, li 45 Dias de João Elias de Oliveira, um romance que, infelizmente, não conseguiu me cativar. O livro foi publicado em 2009 pela editora Thesaurus e possui 103 páginas. Concluí a leitura em um único dia, mas foi uma experiência incômoda e desagradável, principalmente por causa da construção do protagonista e sua obsessão doentia por uma mulher que nunca demonstrou interesse nele.
O personagem principal parece viver em uma fantasia perturbadora, onde se convence de que está apaixonado por essa jovem de 25 anos, enquanto ignora completamente o fato de que ela nunca deu qualquer sinal de reciprocidade. A narrativa se arrasta entre lamentações intermináveis, uma idealização exagerada e uma objetificação explícita do corpo da mulher, tornando-se cada vez mais desconfortável à medida que avança.
O que mais me causou repulsa foi a forma como o protagonista se vitimiza e se ressente por não ser desejado por alguém muito mais jovem. Sua frustração por não ter essa mulher parece ser o único motor de sua existência, reforçando uma mentalidade tóxica que não tem qualquer apelo para mim como leitora. Embora eu entenda que a literatura possa explorar personagens moralmente questionáveis, a maneira como essa obsessão é apresentada no livro tornou a leitura cansativa e perturbadora, sem oferecer qualquer nuance ou crítica ao comportamento do protagonista.
Sei que ficção não precisa necessariamente retratar personagens perfeitos ou histórias confortáveis, mas 45 Dias me deixou apenas com a sensação de nojo e frustração. Não consegui me conectar com a trama, e o que poderia ser um romance envolvente acabou se tornando um testemunho desagradável da obsessão patológica de um homem incapaz de aceitar a realidade.