Com essa edição, finalmente encerramos o emocionante arco de Makoto Shishio, um vilão inesquecível na série Rurouni Kenshin. A construção e o desenvolvimento desse personagem ao longo de quase dez edições foram incrivelmente bem executados por Watsuki, e até o momento, Shishio foi o adversário que mais se aproximou de derrotar Kenshin Himura.
O formidável exército Juppongatana desempenhou um papel crucial ao esgotar fisicamente o grupo de Himura antes do confronto com Shishio. Esse foi um plano estratégico arquitetado pelo vilão, uma vez que seu limite de luta era de apenas 15 minutos antes que seu corpo entrasse em combustão. Esse detalhe acrescentou ainda mais tensão e emoção à batalha.
Com reviravoltas surpreendentes, somos levados a testemunhar um embate mortal entre protagonista e antagonista, os dois homens mais perigosos da era anterior, dois espadachins que lutaram acreditando que estavam moldando o futuro do Japão. No entanto, ambos foram traídos de alguma forma: Kenshin, nos ideais pelos quais acreditava estar lutando, e Shishio, que foi brutalmente traído pelo governo que ajudou a estabelecer, levando-o à beira da morte e alimentando seu ódio, que impulsionou seus objetivos de tornar a nação verdadeiramente forte e buscar vingança.
Além das batalhas incrivelmente bem desenhadas, este é, sem dúvida, um dos melhores volumes da série. No entanto, o verdadeiro destaque está no desfecho magistral que Watsuki proporciona a esse arco. Ele nos faz questionar quem é o verdadeiro vilão da trama: Shishio, que lutou e se sacrificou para trazer uma nova era promissora à nação e foi traído de todas as formas, ou os homens influentes que, em sua maioria, não cumpriram suas promessas à nação, apesar do derramamento de tanto sangue?
Rurouni Kenshin é, sem dúvida, um dos maiores mangás sobre samurais já lançados. Repleto de contextos históricos que enriquecem sua narrativa, é uma leitura indispensável para os fãs do gênero. Nota 9.