Since its original publication in 1936, Gone With the Wind—winner of the Pulitzer Prize and one of the bestselling novels of all time—has been heralded by readers everywhere as The Great American Novel. Widely considered The Great American Novel, and often remembered for its epic film version, Gone With the Wind explores the depth of human passions with an intensity as bold as its setting in the red hills of Georgia. A superb piece of storytelling, it vividly depicts the drama of the Civil War and Reconstruction. This is the tale of Scarlett O’Hara, the spoiled, manipulative daughter of a wealthy plantation owner, who arrives at young womanhood just in time to see the Civil War forever change her way of life. A sweeping story of tangled passion and courage, in the pages of Gone With the Wind, Margaret Mitchell brings to life the unforgettable characters that have captured readers for over seventy years.
Gone With The Wind -
Margaret Mitchell
"Her eyes were her own."
Eu sempre sou invadido por um sentimento diferente quando chego ao final de livros tão extensos. Da mesma forma que eu acompanho todas as aventuras e todos os percalços dos personagens, eles também me acompanham nos meus. Sinto que Scarlett, Rhett e Melanie estiveram comigo enquanto finalizava meu mestrado, enquanto me adaptava em um emprego novo e enquanto sofria o luto pela minha avó, a quem perdi recentemente. Me dói um pouco me despedir dessa obra pois sei que sempre terei ela associada a tantos momentos marcantes. É quase como me despedir de bons amigos. Nesse livro, temos um grande romance, que tem como pano de fundo a Guerra Civil Americana. No primeiro volume, temos a guerra em si; no segundo, a Reconstrução, quando o lado derrotado precisa se adaptar ao novo mundo, construído pelos vencedores. Em termos de História (com H maiúsculo), esse livro dá muita repulsa. A romantização da escravidão é DESCARADA. Negros são retratados como felizes, fiéis aos seus donos e como se serem libertos tivesse sido a pior coisa que lhes poderia acontecer. E, quando o narrador se demora nas consequências da abolição, com negros ocupando cada vez mais espaços naquela sociedade e interferindo na legislação, a palavra é apenas uma: racismo. Talvez seja anacronismo da minha parte, mas é impossível desligar as minhas ideologias ao ler um livro altamente ideológico. Quanto ao plot: que magnífico! Temos a jovem Scarlett O'Hara, filha de um fazendeiro próspero do norte da Geórgia, uma moça que, no auge dos seus 16 anos, só vive em torno de rapazes, bailes e festas. A vida dela vira de cabeça pra baixo quando, num só dia, descobre que o garoto que ela ama vai casar com outra e que a Guerra, de fato, vai acontecer. E a diferença entre a Scarlett do capítulo 1 e a do capítulo 63 é, na minha opinião, a ilustração mais perfeita da definição de personagem esférica. Protegida pelo seu mantra ("I'll think of this tomorrow"), pelos seus antepassados irlandeses, ela assume as rédeas de um mundo revirado e se transforma, de uma menina rasa e fútil, numa mulher forte, resiliente e sem medo de fazer o que precisa ser feito. Todos os personagens foram lindamente construídos e tristemente concluídos. Chorei com a morte da Melanie. Li incrédulo as últimas palavras do Rhett pra Scarlett. Detestei o Ashley do início ao fim. E a própria Scarlett, mesmo sendo uma das piores pessoas do romance inteiro, te cativa a ponto de te fazer esquecer o quão odiosa ela é. O enredo é redondinho, com um final que volta pro começo e com uma conclusão que deixa o leitor moderadamente esperançoso por um "happily ever after". Que inveja eu sinto de quem ainda vai ler esse livro pela primeira vez! "They were the eyes of a happy woman, a woman around whom storms might blow without ever ruffling the serene core of her being."
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