Xisto e seu fiel escudeiro Bruzo são amigos desde a infância. Durante a adolescência, eles vivem grandes aventuras no reino onde moram. Situado num enorme continente perdido no meio do mar, as terras são governadas por Magnoto, que apesar de corajoso, tem muito medo de bruxaria. Uma bela manhã, os garotos flagram um extravagante cavalheiro com uma capa negra escondendo um embrulho no meio das árvores. Curiosos, eles encontram o embrulho e descobrem que se trata do Manual Secreto dos Bruxos. Aos folhear as páginas, Xisto lê sobre os quatro feiticeiros que ainda estão vivos e decide sair em viagem para encontra-los. A autora Lúcia Machado de Almeida reúne nesta aventura referências de lendas da cavalaria medieval e segue encantando leitores de diversas gerações com seus clássicos da série Vaga-Lume.
Aventuras de Xisto (Série Vaga-Lume) -
Lúcia Machado de Almeida
NÃO CREIO NAS BRUXAS, MAS ACHO QUE ELAS NÃO SÃO ASSIM TÃO MÁS
Sou muito devedor da imaginação de Lúcia Machado de Almeida. Aos 8 anos, li O Caso da Borboleta Atíria, que me deixou transido de medo. Foi a primeira vez que experimentei de fato a magia da Literatura: como era possível que ler aquela sequência de palavras impressas me provocasse emoções tão intensas? Repeti a dose com outras duas histórias de suspense da mesma autora (todas publicadas na maravilhosa Coleção Vaga-lume): O Escaravelho do Diabo e Spharion. Quando li As Aventuras de Xisto (seguido por Xisto no Espaço e Xisto e o Pássaro Cósmico), eu já era fã de carteirinha de Lúcia Machado de Almeida. Na saga de Xisto a pegada é um pouco diferente da dos outros livros: a trama policial dá lugar à fantasia e à aventura. O marcante ponto em comum é a habilidade da autora em forjar vilões carismáticos e para lá de malvados. Em Aventuras de Xisto os vilões são da nefanda raça dos bruxos, que o herói Xisto promete exterminar a todo custo. Ao ler agora pela segunda vez, ficou bem nítida a percepção de o quanto o mundo mudou desde que o livro foi publicado, em 1982. O vocabulário utilizado pela autora, por exemplo, me parece bem distante das crianças e adolescentes de hoje. Abri aqui uma página ao acaso para demonstrar esse distanciamento: Vendo-o em situação crítica, o covarde Mirtofredo arrancou-lhe o elmo e preparou-se para fustigar-lhe o rosto com o terrível chicote darmas. Mais que depressa, Bruzo saltou sobre Barba-Coque e com a fenomenal força que possuía, conseguiu suster o golpe, segurando-lhe o braço. Outra diferença notável é de ordem mais sutil. Em As Aventuras de Xisto, os bruxos e bruxas são apresentados como seres necessariamente malévolos, tanto que o empenho do cavaleiro Xisto em destruí-los de uma vez por todas é o mote do livro. Quando eu li esse livro pela primeira vez, aos 10 anos de idade, essa concepção das bruxas malvadas estava bem de acordo com outras histórias que povoaram minha infância, de João e Maria a Branca de Neve. Contudo de lá para cá tivemos muitas narrativas de conscientização e de desconstrução da figura da bruxa como um ente maléfico, e que foram demonstrando como essa imagem serve a propósitos de hegemonia religiosa e de gênero, esses sim nocivos (embora muitas vezes inconscientes). Essa ressignificação dos bruxos teve o seu apogeu na cultura pop e no imaginário coletivo com a série Harry Potter, de J. K. Rowling, que começou a ser publicada em 1997. Lembro até hoje de meu deleite ao ler o primeiro livro da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal, que fazia a sensacional divisão da sociedade entre Bruxos e Trouxas! Desde então, venho achando cada vez mais difícil não torcer pelas bruxas... e contra os caçadores de bruxas! Por conta disso, foi um tanto melancólico o meu reencontro com o heroico cavaleiro andante Xisto. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2023/12/nao-creio-nas-bruxas-mas-acho-que-elas.html
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