Lembro-me de ter ficado obcecada por esse livro depois de assistir à primeira temporada de True Detective, anos atrás.
Esse volume compõe outra tradução de quatro contos de Robert W. Chambers que eu já havia lido num exemplar do mesmo ano (2014) intitulado “O rei de amarelo”, publicado pela Intrínseca e um conto inédito de Ambrose Bierce.
Cada conto possui sua própria atmosfera e a única coisa que todos tem em comum é a temática a respeito do lendário livro do “símbolo amarelo”, que supostamente enlouquece todos que o lêem. Quando adolescente meu gênero favorito era o mistério envolto nesse tipo de narrativa e mesmo já sabendo a maior parte dos desfechos nesse caso, foi interessante ler outra tradução da mesma obra. Nos últimos anos, desde que passei a ler alguns livros na língua original (em inglês) e também traduções em espanhol, passei a perceber a importância e a marca registrada de cada tradutor nas obras em que trabalham. Muito do que recebemos depende da qualidade e da experiência do trabalho deles. Passei a considerar isso ainda mais essencial, praticamente uma obra de arte em muitos casos. Não foi diferente nesse.
Meu conto favorito é “O símbolo amarelo”, seguido de “A máscara”. Em ambos a ambientação é tão sólida que senti já conhecer as personagens e já tinha minhas favoritas em apenas duas páginas. A grande sacada do Chambers, na minha opinião, foi justamente ambientar tudo ao redor desse símbolo místico. Gostei também do inédito de Ambrose, apesar de extremamente curto. Uma leitura interessante, desde o ponto de vista da própria temática até em relação às palavras em português utilizadas na tradução, muitas bastante antigas e cujos significados eu nem sempre conhecia e outras ainda usadas no cotidiano em espanhol. Não se pode negar a raiz latina de ambas línguas.
Só não considero um livro favorito porque meus gêneros preferidos mudaram muito ao longo dos anos, mas recomendo para quem gosta de Lovecraft e afins.