Rosas (Ana Lúcia Merege)
Narrado em terceira pessoa, Rosas começa de modo despretensioso. A narrativa simples, mas ainda assim satisfatória, nos enreda nas particularidades da rotina do professor, um homem ocupado e metódico, e de sua esposa Mildred, que cuida da casa e de suas rosas enquanto o professor passa a semana longe. Aprendemos aos poucos sobre essas nuances enquanto um clima de mistério é construído, então de repente chega o final, que surpreende com algo totalmente inesperado, mas que ainda assim se encaixa perfeitamente com o tom do conto e com os personagens.
Cinco Bilhões (Victor Oliveira de Faria)
O conto apresenta um enredo interessante, apesar de eu ter matado a charada antes de chegar ao final, não sendo surpreendida. Os aspectos científicos foram muito bem utilizados, todos de maneira crível, mas sem incomodar o leitor que tem poucos conhecimentos sobre o assunto. O mundo criado é interessante e foi bem construído, e os personagens são críveis e bem caracterizados. Em alguns momentos, porém, a narrativa é um tanto apressada, às vezes com parágrafos e mais parágrafos com o autor contando a história, em vez de mostrando-a. Teria sido mais interessante se essas informações, que de fato não são tão necessárias de se mostrar, tivessem se diluído na narrativa. Afora isso, o conto me agradou bastante.
Hamlet: Weird Pop (Jim Anotsu)
Não gostei tanto deste, mais devido à temática que à técnica do autor (que é excelente: conseguiu me imergir na história com uma narrativa muito envolvente). A trama é simples: uma conversa entre uma atriz de teatro e uma espécie de duende, que veio trazer um pedido do falecido William Shakespeare impedindo que ela modificasse sua peça, Hamlet. A narrativa mostra, de maneira mais leve e engraçada, a conversa entre a atriz e esse ser. Como já mencionado, não é meu tipo favorito de fantasia, mas o conto ainda assim é muito bem escrito e estruturado.
Código Fonte (George Amaral)
Código Fonte apresenta um tema muito interessante e que geralmente gosto de ler e explorar em minhas próprias histórias: o medo do envelhecimento (o que em minha opinião é apenas um reflexo do medo da morte). O começo é despretensioso: um reencontro de dois colegas de faculdade em um bar futurista. Entretanto, o desenrolar da história foi por um caminho bem diferente do que eu esperava, com uma revelação ao final que o deixou ainda melhor. A escrita é muito boa e me envolveu ao longo de todo o conto, só senti falta de um pouco mais de descrições, o que teria tornado alguns dos momentos mais impactantes, especialmente no final.
A Maldição das Borboletas Negras (Albarus Andreos)
Geralmente eu adoro histórias sobre fantasmas, demônios e coisas afins, e esse conto possui todo o ar de mistério que costuma me atrair, além do diferencial de ser contado sob o ponto de vista do próprio demônio. Entretanto, não gostei da narrativa com um estilo mais poético. O tom é adequado ao ambiente retratado (interior) e serviu muito bem para caracterizá-lo, entretanto, deixou a minha leitura arrastada em alguns momentos. Porém, acredito que tenha sido mais devido ao meu gosto pessoal do que falha do autor: a execução é muito boa.
O Homem Atômico (Cristina Lasaitis)
A narrativa, apesar de não ser o meu estilo favorito (durante a maior parte do tempo contando, em vez de mostrar), envolveu-me na história curiosa de um mendigo que se dizia físico nuclear que trabalhou em um programa secreto durante a ditadura. O conto gira em torno da veracidade ou não dessa história, e o final foi deixado em aberto, o que me agradou. Foram colocadas pistas suficientes para que se deduzisse o que realmente aconteceu, mas ainda assim deixando espaço para a imaginação trabalhar.