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    Esaú e Jacó (Coleção Prestígio) -

    Machado de Assis

    Ediouro / Tecnoprint S. A.
    1990
    153 páginas
    5h 6m
    ISBN-10: 8500813180
    Português Brasileiro
    3.8
    253 avaliações
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    Favoritos1Desejados208Avaliaram253

    O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis, é à história de Rebeca, que privilegia o filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú, fazendo-os inimigos irreconciliáveis. A inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, do romance de Machado, não tem causa explícita, daí a denominação de romance "AB OVO" (desde o ovo). É o romance da ambigüidade, narrado em 3ª pessoa, pelo Conselheiro Aires. Pedro e Paulo seriam "os dois lados da verdade". À medida que vão crescendo, os irmãos começam a definir seus temperamentos diversos: são rivais em tudo. Paulo é impulsivo, arrebatado, Pedro é dissimulado e conservador - o que vem a ser motivo de brigas entre os dois. Já adultos, a causa principal de suas divergências passa a ser de ordem política - Paulo é republicano e Pedro, monarquista. Estamos em plena época da Proclamação da República, quando decorre a ação do romance. Até em seus amores, os gêmeos são competitivos. Flora, a moça de quem ambos gostam, se entretém com um e outro, sem se decidir por nenhum dos dois: é retraída, modesta, e seu temperamento avesso a festas e alegrias levou o Conselheiro Aires a dizer que ela era "inexplicável". O conselheiro é mais um grande personagem da galeria machadiana, que reaparecerá como memorialista no próximo e último romance do autor: velho diplomata aposentado, de hábitos discretos e gosto requintado, amante de citações eruditas, muitas vezes interpreta o pensamento do próprio romancista. As divergências entre os irmãos continuam, muito embora, com a morte de Flora, tenham jurado junto a seu túmulo uma reconciliação perpétua. Continuam a se desentender, agora em plena tribuna, depois que ambos se elegeram deputados, e só se reconciliam ao fim do livro com novo juramento de amizade eterna, este feito junto ao leito da mãe agonizante Memorial de Aires é o último romance escrito por Machado de Assis, publicado no mesmo ano de sua morte, 1908. Ele está organizado como uma série de entradas em um diário e, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, não tem um enredo único, mas se compõe de vários episódios e anedotas que se interpermeiam.

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    Clio30/05/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O volume dedicado a Machado de Assis na coleção Obras-Primas traz as duas últimas histórias daquele que ainda é considerado o maior literato brasileiro. Esaú e Jacó como o próprio nome diz traz a tragédia de dois irmãos separados pela rivalidade. Pedro e Paulo são as duas linhas que o autor usa para contrapor a agitação política da época com a abolição da Escravatura, o estouro econômico e a formação da República. O que mais se destaca, contudo, é a forma como Machado de Assis narra os acontecimentos. Sua escrita adquire um ar de tristeza, e Aires se revela como alguém cuja visão dos conflitos permanece na quieta aceitação da tragédia inevitável e, ainda assim, banal. Memorial de Aires é seu último livro publicado, e apesar de ser um diário - trazendo assim à memória seu outro clássico, Memórias Póstumas de Brás Cubas - não possue seu mesmo sarcasmo irônico. A história é retratada em pequenos episódios anedóticos, e é o estilo machadiano que faz a leitura valer a pena. Apesar de muitos o considerarem uma sequência de Esaú e Jacó, é plenamente possível ler um sem o outro já que Aires tem um caráter biográfico enquanto o outro é mais como uma crônica política-social. Recomendo.

    76 curtidas

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