Em a "Ignorância do sempre", de Juliano Pessanha, podemos descobrir que há muitos foras que ainda não brilharam, e que até o sempre, apesar de estar dentro, em um movimento de estagnação perpétuo, pode encontrar uma saída de emergência.
O estranhamento é a esperança à vida que se tornou vida, definida, definitiva, em um mundo em que a solidão, a busca pela perda de tempo - pecados mortais para os homens de ação -, junto com as vozes do além dentro, num sentido anti horário, são reduzidas pelo horário à morte, nos novos acordos ortográficos paridos pelos esquecidos últimos homens.
Se desejamos a vida lógica, uma certeira existência, não precisamos de um pingo de caos; se almejamos o conforto basta respeitarmos os sinais do Hadestrânsito; se estamos desesperados para sermos envolvidos pelo sorriso que pisca os olhos, basta dizermos sermos e dizermos ao mundo que estamos atualizados.
Se estamos sufocados pela música das máquinas, cansados da mão de obra e de diversão estupidificante da ração-razão, precisamos nascer de novo, e de novo, de novo, e de novo, caminharmos como um guerreiro, se defendendo com o escudo do "não sei" e com a espada do "sem rumo". Há brechas e crateras por aí, de todos os tamanhos, há, ainda, britadeiras para o mergulho. Como encontrá-las? O primeiro passo é jogar os ponteiros do relógio fora. O segundo, encontrar vida fora do mediano-ambiente.