Parece até perseguição da minha parte, mas - ultimamente - não tenho tido muita sorte com leitura nacional! Digo isso porque sei que existem exceções, mas - infelizmente - elas estão ocorrendo com menos frequência do que eu gostaria/desejaria!
Como vocês podem perceber através da sinopse, "Um Herói para Ela" conta a história de Bianca que tem o sonho de se tornar uma das maiores roteirista de cinema na atualidade. Por intermédio de seu pai, Bianca consegue ingressar na famosa New York Film Academy.
Em meio ao período de adaptação a uma nova cultura e costumes, Bianca conhece a Rússia antipática Natalya e, outra brasileira, Mônica. Neste ponto da história, o trama parece bem promissora e e os acontecimentos fluem na medida certa. No entanto, infelizmente, este desenvolvimento não consegue se manter nos momentos seguintes. Me deparei com uma história com um contexto desconexo, fatos nem um pouco verossímeis que me faziam pensar "como assim?!"... "É isto mesmo?!"... "Pulei algum capítulo...só pode!"
Um bom exemplo da minha incredulidade, foi o fato de que na primeira vez em que Bianca e Paul - que estuda em sua classe e é filho de um importante cineasta - se conhecem, ele já manda uma baita cantada nela. Uma cantada muito batida, diga-se de passagem... E, mesmo assim, ela - no minuto seguinte - fica completamente perturbada com isso, no sentido 'não chateada', mas interessada. É algo tão rápido que você se pergunta: "espera, o quê?!!".
Não são trocadas nem mesmo três frases na tal "paquera" e ambos já estão encantados um pelo outro, o que faz você lembrar da velha frase da vovó "Algo que vem fácil..." Pois é... Me desagradou e muito o fato de Bianca ver Paul pela primeira vez e já morrer de amores, mas tudo bem... a Literatura permite coisas que até Deus duvida, principalmente, um romance que tinha tudo para ser perfeito, com personagens interessantes que dariam uma boa história. E, mesmo com o meu sexto sentido gritando e falando coisas não muito legais deste romance, continuei com a leitura para ver se era apenas a tal "primeira impressão...", afinal não queria ficar com esta ideia martelando na minha consciência..sem dar chances a mudança de opinião.
Dei mais uma chance e, no decorrer da leitura, mais cenas me desagradavam. Como a sugestão do triângulo amoroso entre Paul x Bianca x Salvatore. Tinha TUDO para dar certo! Mas a coisa ficou no meio do caminho e isso é muito frustrante!Mesmo quando você achava "agora a coisa anda"... tudo retrocedia! Não havia um progresso. E eu continuava com a sensação de que "está faltando alguma coisa", mas a esta altura já estava tão decepciona com a história, que só queria terminar a leitura! Outro fato que poderia ter segurado a história: os personagens secundários que poderiam ter tido um melhor destaque e/ou desenvolvimento na trama, mas amargaram o belo posto de meros figurantes.
Óbvio que não estou julgando aqui a escrita da autora, pois esta é primorosa, o livro em si é rico em detalhes e possui uma pitada de mistério interessante. A diagramação e a edição da capa também é de encher os olhos. No entanto, o desenvolvimento da história e a construção dos personagens deixaram a desejar. Nuca levei tanto tempo lendo um livro e, por várias vezes, pensei em desistir da leitura. E isso não é bom.. não é nada bom!!! É claro que se pesquisarem na internet, encontrarão opiniões divergentes que vão desde leitores que realmente gostaram do romance até leitores que perdem mais tempo enchendo a bola do autor do que apontando os deslizes que não podem ocorrer nas próximas obras.
Como não tenho o costume de puxar saco de ninguém, digo e repito quantas vezes forem necessárias, levando em consideração que este é o primeiro romance da Lu Piras que eu leio, que um maior tempo de dedicação no desenvolvimento de toda a história teria colocado o romance na lista dos "favoritos memoráveis", pois este tinha tudo para dar certo, mas - na minha opinião - morreu na praia, com um final previsível demais.
Enfim, a Literatura Nacional Contemporânea realmente tem ótimos autores, tive a sorte de ler algumas obras primorosas. No entanto, existem aqueles que ainda tem uma longo caminho para percorrer até alcançar o patamar do "aceitável".
Por Mac Batista.