Após um tiroteio custar a vida de seu parceiro, o detetive John Tallow acaba descobrindo um apartamento repleto de armas. Cada uma delas conduz a um diferente caso de assassinato não resolvido pela polícia. Por vinte anos ou mais, alguém esteve matando pessoas e juntando as armas por um propósito inexplicável. Confrontado com a inesperada emergência de centenas de homicídios não resolvidos, Tallow logo descobre que está sendo irremediavelmente conduzido a um verdadeiro acordo com o diabo. Agora, o detetive deve procurar por um caçador que considera seus atos assassinos como um sacrifício para os velhos deuses de Manhattan e que pode, simplesmente, ser o mais prolífico serial killer da história da cidade de Nova York.
Máquina de Armas -
Warren Ellis
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Ver maisNarrado em terceira pessoa, Máquina de Armas é um livro policial diferente, não temos o crime em si, mas a arma, é só depois de testes de balística que sabemos quais foram os crimes e a partir daí o protagonista, Detetive Tallow, consegue traçar um perfil do assassino ou assassinos, comparando o que há em comum entre cada um daqueles assassinatos ocorridos no decorrer de 20 anos, sabemos que o colecionador está espreitando o detetive, disposto a recuperar sua coleção, ele é chamado apenas de ''Caçador''. A cidade de Nova York acaba se tornando um dos personagens principais, Ellis consegue transmitir no papel o lado mais sangrento da cidade, explicando curiosidades históricas, detalhes interessantes e ao longo do livro criando uma forte impressão do cenário no leitor. Ao longo dos capítulos, o foco narrativo se desloca entre o detetive Tallow e o assassino. O primeiro é o modelo básico de qualquer agente da lei problemático da ficção, bebendo, sentindo-se culpado e sem dar muita importância para uma vida social, o que piora ao ser designado para o caso do apartamento misterioso, porém há um detalhe a respeito dele que eu gostei bastante que é o fato dele gostar de ler, seu carro é atulhado de livros e revistas por ele acumulados. Já o seu antagonista é mais interessante, pois é um indivíduo a ser decifrado, com motivações ocultas e um pano de fundo intrigante para sua psicose, entendida aos poucos. Alguns personagens de apoio, como a dupla de peritos que ajuda Tallow, foram criados sem sequer a tentativa de disfarçar o clichê (apesar dos dois serem bem carismáticos), algo piorado por algumas passagens e diálogos que pretendem conferir uma aura mais moderna e cinematográfica, destilando referências e buscando humor negro. Ellis deve ter pesquisado bastante os procedimentos mais complicados de investigação e balística (quero crer que sim), mas poderia ter evitado certas coincidências convenientes. Tallow determina a linha de raciocínio do caso muito facilmente e uma coincidência monumental o coloca em contato direto com alguém envolvido bem de perto nesta conspiração, da forma mais acidental possível. Não bastasse esse mundo pequeno, a sorte de Tallow ainda permite que essa pessoa tenha uma disposição enorme em abrir-se com alguém que conheceu há (bem) pouco. Se não fosse a mão divina do autor proporcionando esses encontros aleatórios, o mistério talvez não fosse descoberto, esse é o ponto fraco da história, o leitor sente-se um pouco traído pela resolução tão rápida.
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