Quando a mobilidade da poesia pela cidade está em jogo, versos como estes produzem o seu estado de exceção, procuram leitores que, diante de papel, riem e imaginam. Poesia, por ora, “é ficção”, e os gestos mágicos que fazem surgir as breves narrativas ou as tiradas de humor (“e se puséssemos um rato ali?”) são suficientemente frágeis para se misturarem ao cotidiano, como “uma menina comum, das que saltam / feito tigres e mordem tangerinas”. Assim, importa pouco decidir se, nesta ficção, se está entre tigres e tangerinas ou se “a língua recolhia / vestígios de manteiga (margarina?)”, pois adiar tais decisões significa hesitar entre o dia a dia e o de vez em quando, o som e o sentido, a poesia e a ficção. E, nessa hesitação, o poeta põe a funcionar uma dimensão circense da linguagem, que engana até o mágico diante das crianças: “o coelho tá morto”.
Peludo -
João Pedro Fagerlande
Verve
2013
72 páginas
2h 24m
ISBN-13: 9788566031393
Português Brasileiro
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