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    Universo Paralelo de Palavras e Tripas -

    Gabriel N. Andreolli

    Livro Independente
    2014
    76 páginas
    2h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.9
    13 avaliações
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    PREFÁCIO: Era maio de 2011 e eu tinha perdido o último ônibus. Pelo jeito a rodoviária seria minha morada aquele dia. Cambaleei entre os notívagos fazendo malabarismo com minhas malas até o primeiro café que encontrei aberto que, não surpreendentemente, estava lotado. Parei na porta farejando um lugar vazio quando alguém puxou minha mala lento demais para parecer um assalto. -Senta aqui, pedi dois cafés. Obedeci como se ele fosse minha mãe com a vara de marmelo na mão, mas ele só tinha uma caneta e um caderninho sem linhas. Agradeci, me apresentei e perguntei seu nome - talvez não nessa ordem, mas foi assim que conheci Gabriel Andreolli. Ele também tinha perdido seu ônibus aquele dia, mas ganhou uma auto-estrada pra entrar na minha alma com suas linhas sempre que quisesse. Perguntei o que ele escrevia e ele leu como quem conduzia uma dança e eu, inebriada, não sabia se minha toxina estava nos versos ou naqueles olhos vidrados da noite de quem está cheio até o gargalo de seus próprios tangos. Já li muita coisa, ou quase nada, mas quando Gabriel me liga e diz que tem algo novo na minha caixa de entrada, eu paro o que estiver fazendo pra ler. É tão aconchegante quanto se espreguiçar nos lençóis depois de uma noite bem dormida, ou como sentar na calçada numa noite de inverno no sul. É como beber, em casa e sozinho, uma garrafa de vinho, ou tomar um café com uma boa companhia. Confesso que tenho muita dificuldade em ler o que conhecidos escrevem. É mais fácil beber cerveja quente que ler textos de conhecidos que, por mais íntimos que sejam, raramente você tem coragem de enfrentar. Mas com o Gabo sempre foi fácil colocá-lo na parede e ser a promotora de acusação de suas letras. Nunca ganhei um caso. Há dias que a gente acorda achando que vai ser um dia como outro qualquer e é surpreendido com um convite pra fazer a revisão do livro de um dos seus autores favoritos e o prefácio. Foi uma mistura de honra e orgulho explodindo no peito e eu chorei. A cada página que ia passando eu ia me apaixonando ainda mais. Eu gritava algumas frases pelo apartamento ou mordia os lábios de raiva por ter algo tão bom nas mãos. Estava quase na hora do meu ônibus. Beijei-o na testa, ele beijou minhas mãos, me abençoou e eu terminei meu café já gelado, porque aprendi com ele que sempre se termina um café, mesmo que ele tenha esfriado. Antes ele do que nós. Que nunca te falte tinta ou papel, e que se por ventura faltar, que você grite seus contos até perder a voz. -Déborah Delancy

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