Eurico, o Presbítero (Unibolso #27) -

    Alexandre Herculano

    Livraria Bertrand de Lisboa
    1980
    326 páginas
    10h 52m
    ISBN-1: 0
    Português

    Eurico, o Presbítero - Tomo I de "O Monasticon" de Alexandre Herculano (1810-1877). Colecção Unibolso 27 da Livraria Bertrand de Lisboa: Obras-primas da lingua portuguesa. Reedição da famosa edição crítica de 1944, Comemorativa do Centenário da Obra -- edição crítica dirigida e prefaciada por Vittorino Nemésio; notas e apêndice por Mª Helena Lucas; glossário arábico de David Lopes, tudo revisto por Joaquim de Abreu Figanier. |...| Obra do Romantismo português, conta a história de Eurico -- um jovem guerreiro godo que se apaixona por uma moça da nobreza visigoda, Hermengarda, mas não pode desposá-la por ordem de seu pai, Fávila, o orgulhoso Duque da Cantábria. Sendo seu amor impossível, ordena-se padre (presbítero) e vai ser o pastor da cidade de Cartéia, próxima ao Monte Calpe - hoje Gibraltar - onde revela-se poeta e cultiva os sofrimentos de sua alma apaixonada. Neste momento está acontecendo a invasão da Península Ibérica (pelos árabes sarracenos da África moura) que substituiria o Reino Visigótico pelo Al-Andaluz. A história de Eurico se passa no século VIII. Neste ambiente de conflito, batalhas e traições, Hermengarda é raptada pelos mouros. Eurico, sob a identidade do misterioso Cavaleiro Negro -- lendário paladino guerreiro das primeiras escaramuças e pelejas com os invasores muçulmanos -- vai salvá-la, incógnito atrás de sua armadura. Ela reconhece seu salvador e a chama do antigo amor é acesa novamente, porém, é tarde demais... A história termina com Eurico morto em batalha, depois de confrontar e punir os traidores da Hispânia, e Hermengarda é vista sendo tomada pela loucura. |...| É importante traçar um perfil histórico da época: entre os séculos III e V d.C., os Godos -- tribos germânicas da 'Völkerwanderung germanen', o grande movimento das migrações bárbaras -- invadiram ou foram convidadas a ocupar territórios do Império Romano do Ocidente e do Oriente, provenientes do Leste europeu e do Sul da Rússia. [Estas migrações nem sempre implicaram violentos combates entre os migrantes e os povos do Império Romano, embora estes tenham existido. Já os romanos também eram chamados de "bárbaros" (estrangeiros) pelos gregos. Os povos migrantes, em muitos casos, coexistiam pacificamente, como aliados "foederati" -- Federados do Império, contratados para ajudar na defesa das fronteiras; associados entre os cidadãos de Roma nos anos que antecederam este período]. No caso do Ocidente foram os Visigodos (Westgoten, Wisigoten, Terwingen) ou "Godos do Oeste", os principais invasores (além dos Vândalos, Suevos e Alanos); fazendo da cidade de Toledo o centro de seu império. Este encontro fez com que a "rudeza dos Godos" se chocasse com a Sociedade Romana culturalmente mais sofisticada da Ortodoxia cristã. A força e o brilho da cultura antiga atrai e seduz os "conquistadores arianos", modificando a cultura do dominador, e, no século VIII, onde se passa a nossa história, o Cristianismo, o Latim e a Igreja de Roma prevalecem como a Cultura dominante. Não obstante sua prevalência hegemônica, os conflitos políticos e as desigualdades entre reinos e povos, envolvendo nobres de diferentes estratos e origens, e a conseqüente desagregação moral, facilitam a entrada de novos invasores muçulmanos. Neste momento começa a grande invasão árabe e a chegada do Islã à Península Ibérica. É neste contexto que se desenrola a estória de Eurico, o Presbítero. O livro é apaixonante por sua riqueza de detalhes, tanto na crônica dos conflitos militares, como do espírito de seus personagens. Nos vemos em meio a batalhas brutais: sangue, honra e traição, amor à pátria, à bem amada e a Deus. A figura heróica do atormentado Cavaleiro Negro atuando como um semideus nas batalhas nos reporta aos livros de aventura da adolescência. Sem dúvida é uma obra prima do Romantismo.

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    Clio06/01/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um romance de cavalaria português que merecia ser transformado em filme. A tragédia de Eurico é um épico. A luta contra invasores, o amor impossível por Hemengarda, a devoção religiosa. Tudo perfeitamente entrelaçado por Alexandre Herculano que quis deixar a marca lusitana entre tantas outras obras clássicas como El Cid, Ivanhoé e Artur da Távola. A adaptação feita para o português moderno cumpre seu papel - quase não é preciso o refúgio a um dicionário ou enciclopédia. Porém, o leitor mais acostumado ao ritmo dinâmico dos romances históricos atuais pode se sentir enfadado, já que todo o rol de personagens é dado a introspecção. O livro ainda apresenta batalhas sanguinolentas e discussões ferrenhas em que até os insultos são referidos, embora ainda dentro do gênero a que se propõe. Meu volume sofreu um pouco durante a leitura, e a lombada descolou... não sei se foi azar ou um defeito comum dessa edição.

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