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    Ensaio Sobre a Lucidez -

    José Saramago

    MEDIAfashion
    2012
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9788579490538
    Português
    4.3
    29 avaliações
    Leram64Lendo5Querem54Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos4Desejados54Avaliaram29

    O pleito eleitoral de uma cidade fictícia vê-se fracassado após ser apurado que 70% dos eleitores votaram em branco. A partir deste ponto, os órgãos e agentes representativos do Estado retiram-se da cidade e a isolam. Mesmo sem a presença das instituições estatais, a vida na cidade segue o seu curso aparentemente normal, que se vê alterado, posteriormente, pelas ações de viés autoritário desencadeadas pelas autoridades públicas ávidas para incriminar cidadãos e comprovar falsamente a prática de um suposto atentado contra a ordem democrática. É a oportunidade criada pelo autor para conectar-se a "Ensaio sobre a Cegueira", dado que a heroína desta obra passa a ser a principal suspeita de ter orquestrado a "insurreição" eleitoral. O voto em branco é uma clara alusão ao descrédito dos cidadãos em relação ao Estado e ao regime democrático. A lucidez pode ser interpretada como um questionamento à necessidade do contrato social (Rosseau/ Hobbes), afinal, por que tudo parecia organizado na cidade mesmo sem a presença do Estado? Aos olhos do Leviatã, a situação não poderia ficar impune. Exatamente por isso, o Estado, na condição de detentor do monopólio da violência e controlador da informação encontra o bode expiatório e faz suas vítimas na tentativa de resgatar sua legitimidade, produzindo-se o desfecho trágico do livro com o assassinato dos personagens principais que ousaram ser lúcidos. A obra mostra-se extremamente atual, pois constitui um retrato da crise de legitimidade do regime democrático, dos agentes políticos e das instituições estatais.

    Resenhas (3)Ver mais
    Viviane Camacho picture
    Viviane Camacho15/12/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Estado muito ajuda se não atrapalha

    Achei muito difícil ler este livro, a leitura não fluiu como gostaria, mas não me canso de ficar admirada com a inteligência, perspicácia e genialidade de Saramago! Já adianto que não é aquele livro que você vai devorar, pois é mais denso e traz muitas questões para reflexão. Em linhas gerais Saramago nos apresenta a história da capital de um determinado país, cuja população, em período eleitoral, teve uma votação maciça em branco, 87% dos votos. Isto causou espanto, e os governantes, como uma represália, decidiram sair da cidade, na surdina, decretando estado de sítio. Retirou todos os serviços públicos e também a polícia. Esperava que a cidade virasse o caos, mas isto não aconteceu, pois as pessoas foram se organizando e vivendo, inclusive com menos violência. O plano inicial era que a população implorasse pelo retorno dos governantes, mas isso não aconteceu. Então, começaram as “intervenções” estatais, para que o Estado fosse reconhecido como verdadeiramente útil. E muita coisa passa a acontecer… Muitos dizem que este livro é a sequência do “ensaios sobre a cegueira”, pois traz alguns de seus personagens, que não citarei, porque é bem legal ir descobrindo no decorrer da leitura. Fiz marcações e gostaria de destacar muitas notas nesta resenha, mas encerro citando uma de um trecho em que houve um assassinato, e o ministro do interior fez uma declaração dizendo que este era “obra, sem dúvida, de um profissional da pior delinquência”. Mas nós, enquanto leitores, sabíamos que o tal profissional era o Estado.

    3 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 29
    • 5 estrelas52%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas3%
    José Saramago profile picture

    José Saramago

    José de Sousa Saramago é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira (cineasta) adapta um conto retirado do livro "Objecto Quase", conto esse que viria dar nome ao filme Embargo (filme), uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha. Nasceu na província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, é membro do Partido Comunista Português e foi director do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado com a espanhola Pilar del Río, Saramago vive atualmente em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

    116 Livros
    3.954 Seguidores

    José Saramago