Antropologia da Doença -

    François Laplatine

    Martins Fontes
    2010
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: 8578272595
    Português Brasileiro

    No campo de pesquisas da antropologia da doença, François Laplatine ocupa um lugar especial por suas abordagens. Sua principal inovação está na aproximação de materiais culturais que nunca haviam sido reunidos, particularmente a biomedicina e o texto literário. A base teórica e empírica do estudo dos numerosos filmes e obras literárias feitos pelo autor assentam sobre a história da medicina, entrevistas aprofundadas com clínicos gerais e doentes e na análise de uma centena de obras de medicina.

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    Sarah Caribé22/09/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Em busca de reintroduzir uma aparência de eternidade ao efêmero da vida

    "Antropologia da Doença" não é um livro qualquer, é fruto de um longo estudo em que François Laplantine mergulha em entrevistas com pacientes, médicos e curadores, além de obras literárias, para pensar de maneira impressionante como entendemos a saúde, a doença e até a cura. É um livro denso, daqueles que pedem releitura, mas que mesmo na primeira vez já abre um leque enorme de reflexões. Precisei lê-lo dentro de um prazo apertado, o que deixou a leitura um pouco cansativa em alguns trechos. Ainda assim, me surpreendi com a clareza e a riqueza do raciocínio do autor, que vai conectando modelos médicos (ontológicos, relacionais e outros) com o imaginário social e cultural. Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi a forma como o livro aborda o sagrado na relação com a vida e com a doença. Laplantine mostra que, diante do sofrimento e da busca incessante por entender o “porquê” das coisas, procuramos dar um sentido maior à existência. Essa busca de sentido, de explicação, aparece como uma tentativa de reintroduzir uma aparência de eternidade ao que é efêmero (a própria vida). E é nesse movimento que a reflexão sobre saúde e doença ultrapassa o biológico e se aproxima de algo profundamente humano. É um livro para ser relido, porque cada vez pode revelar novas nuances. Mesmo assim, já na primeira leitura ele provoca transformações na forma de pensar saúde, doença e cura. Recomendo a quem deseja compreender como esses conceitos se entrelaçam na cultura contemporânea e nas nossas próprias vidas.

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