Assunção de Salviano -

    Antonio Callado

    José Olympio
    2014
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788503012133
    Português Brasileiro

    Assunção de Salviano é o romance de estreia do escritor e jornalista Antonio Callado. Conta a história de Salviano, marceneiro de Juazeiro, a princípio ateu, que tem ligações com Júlio Salgado, elemento do Partido Comunista, sendo ambos inimigos da Igreja e dos padres. O amigo propõe a Salviano que se faça passar por beato para conquistar a simpatia e a adesão dos camponeses religiosos, roubando a influência dos padres. • Em 2014, a obra comemora 60 anos de sua primeira publicação; • O livro apresenta informações biográficas do autor, ensaio sobre a obra assinado por Ligia Chiappini e trechos da última entrevista do autor.

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    Luiz Pereira Júnior21/03/2021Resenhou um livro
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    A surpreendente assunção de Salviano

    No sertão nordestino (melhor dizendo, “nas cidades interioranas do Nordeste”), dois comunistas se disfarçam de engenheiros para iniciar uma revolução a partir de um plano mal delineado. Fracassam. Decidem, então, fazer com que um ateu comunista (o protagonista) se passe por fanático religioso (no melhor estilo Antônio Conselheiro) para arrebanhar uma multidão de crentes. Tudo isso para que, em seguida, ele revele que tudo não passa de uma farsa e satirize publicamente a fé cristã do povo, desmoralizando os líderes religiosos e políticos da região. Até aí tudo bem: a trama bem desenvolvida prende a atenção do leitor, mas a súbita iluminação de Salviano, transformando-se em um arquétipo do fanático sertanejo é, por vezes, difícil de aceitar. Apesar dos longos monólogos, essa iluminação se torna menos plausível quando temos em mente o pragmatismo anterior do protagonista. Tudo bem, é possível, sim, alguém ser convertido. Mas, de um dia para outro transformar completamente suas crenças mais arraigadas e sua personalidade mais profunda? Talvez, talvez, mas tudo bem. Não me convenceu, mas é uma ficção e é preciso entrar no famoso trato ficcional entre o autor e o leitor. E o final? Isso sim me agradou em cheio, pois dá uma explicação surpreendente para o título do livro (extremamente bem escolhido). Acredito que seja praticamente impossível algum leitor adivinhar o final e isso acaba nos deixando com aquele gosto de “caramba, fiz bem em ler esse livro!”. Vale a pena, sim, ler “Assunção de Salviano” para tentar entender um pouco mais de nossa literatura, do nosso meio, do nosso povo, dos nossos costumes. É uma leitura que exige concentração do leitor, mas não a ponto de fazê-lo abandonar a leitura por ser incapaz de percorrer as trilhas intrincadas da narrativa ou por não conseguir se alçar a altos voos hermético-linguístico-psicológicos do autor (sim, alguns autores se acham melhores, quase semideuses literários, pelo fato de escreverem tão “difícil” que nem mesmo seus leitores os compreendem). “Assunção de Salviano”: um texto curto, com vários diálogos, com poucos personagens, com um assassinato que acaba dando mais ritmo e mais sentido à narrativa, com uma situação (digamos assim) de homossexualidade que, sem dúvida, foi de grande ousadia à época em que o livro foi publicado. Enfim, dizer que é uma obra que não desmerece a inteligência do leitor talvez seja um dos melhores elogios que se possa fazer a um livro. E, na verdade, isso parece estar se tornando cada vez mais difícil de ser encontrado...

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