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    Em Linha Reta -

    Tailor Diniz

    Grua
    2014
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788561578329
    Português Brasileiro
    4
    5 avaliações
    Leram5Lendo0Querem4Relendo0Abandonos1Resenhas1
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    Sophia Antonelli é uma garota de programa contratada para o serviço de uma noite por um cliente que ela desconhece. O motorista encarregado de conduzi-la ouve músicas antigas do Roberto Carlos enquanto seguem por uma estrada retilínea e deserta, ao sul de Porto Alegre. Ele conta a história de um prato servido num restaurante de uma cidade espanhola: deixa-se um peixe faminto por dias para então colocar na água os condimentos e o recheio que o peixe comerá antes de ser abatido e ir ao forno. Sophia, sempre apreensiva, não sabe para onde vai e descobre, numa conversa do motorista com dois policias que os detêm, que está reservada para um tal Sacerdote. É depois colocada em um avião, sempre seguindo em frente, atravessando nuvens e nevoeiros. Acostumada a trafegar entre dois mundos, o das noites com clientes e o da moça que se preocupa em comprar o presente de aniversário para o irmão caçula, ela se depara com outro tipo de fronteira, imaterial, entre o real e o absurdo, entre o contemporâneo e uma realidade perdida no tempo e no espaço. E a tensão não está apenas na história de Sophia, mas nas histórias de todos os que cruzam seu caminho EM LINHA RETA, e que parecem ter seu destino pré-estabelecido neste romance que se insere no melhor de uma tradição literária latino-americana, da qual Tailor Diniz faz parte e é profundo conhecedor.

    Resenhas (1)Ver mais
    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino03/06/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    em linha reta

    Acredito que se pedirem para o Tailor Diniz escrever uma história sobre o mais inusitado dos temas (Incas venusianos, escravas brancas na Malásia, senhores de engenho no Recife colonial, pistoleiros de Laredo em crise existencial ou monges tibetanos em férias no Caribe) ele vai se sair bem. O cara sabe contar uma história. Claro, as que ele realmente escreveu são bem menos amalucadas das que sugeri acima. No caso desse "Em linha reta", último livro dele publicado, somos apresentados a algo que mescla o clima das histórias de mistério, de detetives, com o fantástico, numa espécie de flerte com o realismo mágico. Na verdade esse formato aparente do livro mascara um tanto o que eu acredito ser a verdadeira preocupação dele: explorar a hipocrisia de nossos tempos ou, ao menos, aquele comportamento muito em moda atualmente em que todos nós brasileiros parecem cobrar algum respeito as regras e ao poder estabelecido enquanto simultaneamente nos imaginamos cada um o primeiro a merecer alguma espécie de exceção ou isenção às mesmas regras (o Brasil nunca foi para amadores, mas ultimamente a coisa parece ter se complicado mais). Porque digo isso? Primeiro porque o título do livro lembra um poema de Fernando Pessoa em que ele abusa da ironia ao fazer crítica social e explicitar os problemas de seu tempo (Pessoa pergunta: "Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"). Em segundo lugar por conta de em seu romance anterior, "A superfície da sombra", Tailor já ter trabalhado com o tema das fronteiras. Naquele caso havia uma fronteira geográfica, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguay, mas também sinais de uma fronteira entre sonho e delírio (lembro-me de ter associado seu livro a Traumnovelle, de Arthur Schnitzler), agora é essa fronteira menos objetiva que domina completamente o livro. Em terceiro e último lugar porque a narrativa de Tailor acaba provocando o leitor a entender se aquilo que se acaba de ler é na verdade uma alegoria, um sonho, o produto da mente de alguém que passou por uma violência indizível, absurda, e que plasma seu sofrimento com elementos menos agressivos de sua memória afetiva: a música, a tecnologia, o churrasco, os cavalos, a literatura, ou se trata da realidade objetiva - porém kafkiana, como sempre acontece - experimentada por alguém. Li em algum lugar que Tailor imaginou estes dois últimos romances como partes de um tríptico. Assim sendo: ojo!, haverá um terceiro livro onde estas questões deverão ser retomadas. É só termos paciência e esperar don Tailor nos presentear com mais um de seus bons livros. Nota bene: Perdi o lançamento em Porto Alegre no final de maio mas não perderei a próxima chance de conseguir uns minutos de prosa com ele sobre esse seu livro. Principalmente porque penso agora que a acepção correta seja pensar em "fronteira" como a margem do mundo habitável e não o limite de um mundo em relação ao outro (que merecem leis e tratamentos diferentes), mas essa é outra história e eu sou o menor dos anões desta paróquia) . Vamos a ver. [início: 12/05/2014 - fim: 13/05/2014] "Em linha reta", Tailor Diniz, São Paulo: Editora Grua, 1a. edição (2014), brochura 14x21 cm., 127 págs., ISBN: 978-85-61578-32-9

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    Tailor Diniz

    Tailor Diniz é escritor e roteirista de cinema e TV. Tem doze livros publicados, dentre os quais estão Transversais do tempo (Bertrand Brasil, Prêmio Açorianos de Literatura 2007 – Melhor Livro de Contos; Prêmio Associação Gaúcha de Escritores 2007 – Melhor Livro de Contos), Crime na Feira do Livro (Dublinense, traduzido para o alemão e finalista do Prêmio Açorianos, edição 2011, Narrativa Longa). Dentre seus trabalhos como roteirista estão os curtas Terra Prometida, ganhador, em 2006, do prêmio de Melhor Filme nos festivais de cinema de Gramado e Brasilia, e Rolex de Ouro, também baseado em um conto seu, ganhador, em 2007, do prêmio de Melhor Filme na mostra gaúcha do Festival de Cinema de Gramado. A superfície da sombra (2012), publicado pela Grua e em adaptação para o cinema.

    23 Livros
    2 Seguidores

    Tailor Diniz