Joshua então e agora -

    Mordecai Richler

    Francisco Alves
    1982
    442 páginas
    14h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Do mesmo autor de A Versão de Barney, Mordecai Richler, Joshua Então e Agora é sobre o Joshua Shapiro de hoje e o Joshua que ele foi um dia. Seu pai, um pugilista, tornou-se um escroque honesto. A mãe, uma dançarina erótica, conseguiu seu melhor desempenho no bar mitzvah de Joshua. Ele teve um começo pouco auspicioso no gueto judaico de Montreal para depois se tornar um famoso escritor de televisão e um jornalista de sucesso. Mas Joshua, agora na meia-idade, não é um homem feliz. Incapacitado por um acidente, angustiado com o desaparecimento de sua esposa, e pego em um escândalo sexual, Joshua é assediado pela imprensa e atormentado pelos fantasmas de sua juventude. Situado em Montreal, o romance narra a jornada dura que todos nós fazemos entre os países do passado e do presente. Estridente, opinativo, moderado, Joshua Então e Agora é uma memorável excursão ao universo cômico de Mordecai Richler. (Traduzido livremente do site da Amazon.com).

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    jota 1120/02/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A grande família (judaica)

    Mordecai Richler (1931-2001) nasceu no Canadá e seu livro mais famoso, The Apprenticeship of Duddy Kravitz (1959), até o momento não foi traduzido para o português. Outro livro seu, A Versão de Barney (1997) rendeu um filme conhecido aqui como A Minha Versão do Amor (2010), que além de ótimo roteiro tinha a carismática dupla Paul Giamatti (Barney) e Dustin Hoffmann (Izzy, pai de Barney) nos papeis principais. Respeitado nos países do hemisfério norte, o humor judaico de Richler não agrada muito aos brasileiros: seus livros costumam encalhar em nossas livrarias. E aqui mesmo no Skoob, até esta data, sou o primeiro que leu este até o final. Difícil fazer um bom resumo sobre Joshua Então e Agora, livro cheio de idas e vindas (muitas idas e vindas, por sinal) entre as décadas de 1930 e 1980, infância, juventude e idade adulta de Joshua Shapiro, o personagem central. Muitos críticos dizem que grande parte do livro é mesmo autobiográfica, então há uma riqueza de detalhes sobre o personagem e sua família que nem sempre conseguimos identificar plenamente. Mas uma coisa é certa: essas famílias judias da literatura (e também do cinema, quando se pensa especialmente em Woody Allen) são bastante complicadas e ao mesmo tempo engraçadas, mormente quando o assunto é sexo. Misturado com religião então, podem resultar em diálogos hilariantes. Em alguns momentos este livro lembra os de Philip Roth, com quem Richler é muitas vezes comparado. Mas penso que Roth é menos enrolado para contar uma história enquanto Richler é muito mais desbocado e ferino do que Roth: pelo menos aquele dos livros que li, menos de uma dezena. Mordecai Richler, desfrutava de ampla liberdade para escrever o que bem entendesse e se era patrulhado por ativistas do movimento do politicamente correto não lhes dava a mínima pelota. Neste livro ele ofende todo mundo - políticos, intelectuais, religiosos, negros, brancos, judeus, americanos, mulheres, minorias sexuais, etc. E não apenas com palavras, também com palavrões, muitos deles cabeludos. Numa conversa mais leve (que se pretende didática) entre Reuben, o pai sacana e o filho Joshua (esse mesmo do título do livro), o primeiro diz que “não é muito judeu.” E Joshua quer saber: “O que é que você quer dizer com esse ‘muito’? Ou você é ou não é.” Reuben retruca: “Poxa, como você é ignorante. Veja o caso dos crioulos, por exemplo. Eles têm todos os tipos de cores, de preto carvão a pardo de merda, como Sugar Ray, até apenas uma coisinha de bronzeado. O mesmo acontece com os hebreus. Se você é muito judeu, usa um daqueles chapéus malucos de peles, costeletas e barba. Você sabe qual é o tipo. Mas eu nasci simplesmente hebreu como alguns caras vêm a este mundo com pé torto ou gagueira.” Simples assim. Mais à frente ainda, Joshua quer saber por quê os judeus não são lá muito populares na sociedade. O pai responde: “Só Deus sabe.” Entendeu a piada? Mais uma? Reuben, a certa altura conversa com um policial amigo e lhe pergunta: “Você sabe por que os judeus têm narizes tão grandes?” O policial: “Compro essa. Por quê?” E Reuben arremata: “Porque o ar é gratuito.” Apesar desse humor todo, nem tudo são flores ou humores aqui: ler este livro requer, para não se ficar à deriva, não apenas um razoável conhecimento de história geral e canadense do período entre 1930 e 1980, mas também paciência. Muita. Lido entre 03 e 20/02/2013.

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