A coletânea sistematizada do pensamento de Gilbert Durand traz ao leitor de língua portuguesa uma síntese valiosa da hermenêutica simbólica e da mitodologia, complementada por sua aplicação às artes plásticas. A obra inclui também um panorama da situação atual do Centro de Pesquisas do Imaginário de Grenoble e outros centros similares. A imaginação e a simbolização recebem uma nova valorização, inserindo-se na esfera dos arquétipos, do mito e do sagrado, numa retomada das ideias de Jung, Bachelard e outros humanistas pouco conhecidos. A perenidade do mito é reafirmada, recolocando-o em seu verdadeiro lugar na base profunda de toda história humana, individual ou coletiva. Ferramentas estruturadas e científicas desenvolvidas por Durand nos métodos da mitoanálise e da mitocrítica, são detalhadas e suas possibilidades de aplicação às artes plásticas explicitadas. As implicações didáticas e peda-gógicas da mitodologia no ensino da arte são também abordadas. As relações da arte com o sagrado, enquanto epifania de um mistério são, por fim, elucidadas. Em pleno século XXI, com o materialismo exacerbado e o cientificismo dominando a vida social, uma obra que demonstra o valor essencial e insubstituível do imaginário, do simbolismo e do mito é um sopro de vida nos recessos profundos da alma. Como diria Durand, a humanidade está embriagada com o sonho da razão, mas o sonho da razão pode produzir monstros...