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    O homem Moisés e a religião monoteísta - Três ensaios

    Sigmund Freud

    L&PM
    2014
    191 páginas
    6h 22m
    ISBN-13: 9788525430793
    Português Brasileiro
    4.3
    23 avaliações
    Leram49Lendo6Querem110Relendo0Abandonos1Resenhas2
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    Provocante, exigente e perturbador. Assim é O homem Moisés e a religião monoteísta, conjunto de três ensaios freudianos gestados durante anos e publicados em conjunto pela primeira vez em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial e da morte do criador da psicanálise. Em meio à onda de antissemitismo que varria a Europa, em meados da década de 1930, Freud (1856 - 1939), autoproclamado judeu ateu, se colocou as seguintes indagações: como os judeus se tornaram o que são e por que atraem para si ódio eterno? Combinando pesquisa historiográfica e uma imaginação tão criativa quanto genial, ele fez uso de ferramentas psicanalíticas para reconstruir a origem da mais antiga religião monoteísta a partir da figura de Moisés, líder religioso dos hebreus, que sempre o fascinara.

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    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho04/06/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Reunindo três ensaios em que toma como ponto de partida a figura de Moisés e todo o fascínio envolto em seu nome e na religião da qual foi fundador, Sigmund Freud estabelece uma interessante análise histórica para chegar numa curiosa e provocante proposta: Moisés era egípcio, tendo dado ao povo hebreu sua religião monoteísta a partir de um basilar dual, de modo que a identidade que fundacionou o judaísmo seria fragmentada, tendo sido erigida a partir de diversos fatores que, para que sejam efetivamente compreendidos, deveria levar todo o contexto situacional que culminou na saída do povo hebreu do Egito e no firmamento de uma religião própria. As afirmativas e as releituras de Freud, além de tomarem como base textos bíblicos e históricos, socorrem-se na psicanálise para dar amparo àquilo que propõe, tendo-se assim um escrito que, por mais perturbador ou controvertido possa ser, torna-se cada vez mais interessante a cada linha lida, resultando num excelente livro. No primeiro ensaio, "Moisés, um egípcio", Freud fornece os primeiros elementos para sustentar a origem egípcia de Moisés - a começa pelo próprio nome, "Moisés", que provém do vocabulário egípcio. As bases nesse ensaio inicial são mínimas, reconhecendo o autor nesse mesmo sentido, mas já servem para compreender a proposta da ideia do autor. No segundo ensaio, "Se Moisés era um egípcio...", Freud prossegue questionando a atacada origem judaica de Moisés, questionando e enfrentando suas próprias afirmações, pois "não é fácil descobrir o que pode ter levado um egípcio nobre [...] a se colocar à frente de um grupo de estrangeiros imigrados, cultulramente atrasados, e abandonar com eles o país". Aqui surge a possibilidade de que a religião dada por Moisés ao povo judeu teria sido uma religião egípcia em específico - que teria sido a religião de Aton. O costume da circuncisão é apontado por Freud como elemento que dá guarida para a sua proposta, pois para o autor esse costume teria vindo do Egito. Nesta segunda parte também surge a ideia de que teriam existido dois Moisés - os quais teriam ido fundidos numa mesma pessoa posteriormente para dar firmamento ao judaísmo, estabelecendo Freud as possibilidades de como teria sido dada essa "troca" e posterior união também a partir da psicanálise. No terceiro ensaio, "Moisés, seu povo e a religião monoteísta", Freud reafirma o pressuposto histórico que dá base para a sua proposta para então tratar da ideia pelo viés psicanalítico, fazendo aqui uma espécie de abordagem com o "paciente" que se trata da própria ideia em si: estabelece um período de latência e tradição para o desenvolvimento da ideia judaica, faz analogias com traumas e neuroses e as aplica na ideia da religião monoteísta ora em análise. Nesse ponto, surge dentre as explicações a ideia da horda primitiva e do assassinato do pai desenvolvida por Freud em "Totem e Tabu" - o mito apareceria no assassinato do primeiro Moisés. Reexaminando teses historiográficas do judaísmo a partir de um aporte psicanalítico, Freud constrói todo um aparato para buscar dar suporte à sua afirmativa de que Moisés teria sido um sacerdote ou príncipe egípcio, explanando ainda de que modo a religião judaica teria sido consolidada a partir de um aspecto não único, mas fragmentário. O desenvolvimento da proposta e do raciocínio do autor é característico, cujas peculiaridades inerentes do seu pensar e da sua escrita estão consequentemente presentes em "O Homem Moisés e a Religião Monoteísta" - um livro polêmico que comporta diversas possibilidades de críticas e reflexões: fazendo-as, cabe ao leitor acatá-las, refutá-las ou ao menos buscar compreende-las.

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    4.3 / 23
    • 5 estrelas57%
    • 4 estrelas35%
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    Sigmund Freud

    Freud foi o fundador da psicanálise. Iniciou seus estudos pela utilização da hipnose como método de tratamento para pacientes com histeria. Ao observar a melhoria de pacientes de Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica, não orgânica. Essa hipótese serviu de base para seus outros conceitos, como o do inconsciente. Freud também é conhecido por suas teorias dos mecanismos de defesa, repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento da psicopatologia, através do diálogo entre o paciente e o psicanalista. Acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana, assim como suas técnicas terapêuticas. Ele abandonou o uso de hipnose em paciente com histeria, em favor da interpretação de sonhos e da livre associação, como fontes dos desejos do inconsciente. Freud, suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas idéias são freqüentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.

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    Morávia, Áustria (Império Austríaco)

    Sigmund Freud