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    O Brasil na História - Deturpação das tradições, degradação política

    Manoel José Bomfim

    Topbooks | PUC Minas
    2013
    486 páginas
    16h 12m
    ISBN-13: 9788574752211
    Português Brasileiro
    4.5
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    Passado o tempo dos anátemas e das caricaturas, é urgente descobrir o pensamento daqueles que interpretaram os problemas de nosso país no início do século passado. Médico, historiador, psicólogo, professor, Manoel Bomfim (1868-1932), nascido em Aracaju, foi um desses pioneiros a se debruçar sobre os paradoxos de um Brasil recém-nascido da República. Sabemos que a posteridade dos pensadores é versátil, e largamente tributária do que Hegel denominou Zeitgeist, "o espírito do tempo". Enquanto Bomfim escrevia O Brasil na história, finalizavam-se as negociações resultantes da I Guerra Mundial. A Europa, após breve recuperação econômica, iria conhecer um dos períodos mais sombrios de sua existência: fome sem precedentes, impactos da crise econômica de 1929, ascensão da xenofobia e do antissemitismo, consolidação dos fascismos. Internamente, apostava-se na construção de uma nação moderna e desenvolvida. A proposta, porém, convivia com a dura realidade de uma população mergulhada no analfabetismo, marcada pelo escravismo, fornecedora de mão de obra desqualificada e submetida à política oligárquica. Explicações para o anacronismo? A mestiçagem, o clima tropical, uma história medíocre. Carecendo de identidade, povos mistos jamais teriam chance de sucesso - diziam alguns intelectuais. Outros sugeriam o "branqueamento" como saída para o atraso. A matriz racial era a base das discussões, e através dela se tentava interpretar as razões de nossas desigualdades. "Não é tal juízo que nos deve doer, e sim a interpretação que dão a esse atraso", reagia Bomfim. Ao contrário da maioria de seus contemporâneos arianistas, ele defendia e valorizava a miscigenação, negando as teorias racistas em voga. Sem renunciar ao debate ou se resignar às modas intelectuais, via na educação e no sentimento de cidadania "a consciência de direitos e deveres" e o "remédio" para o Brasil. No entreguerras, as ideias de Bomfim foram regadas a um patriotismo acelerado pela experiência profissional numa Europa que se armava e rangia os dentes para o estrangeiro. Não à toa, ele fustigou ferozmente os modismos intelectuais de além-mar, especialmente os vindos da França, que então apaixonavam as elites nacionais. Com engajamento raramente visto, Bomfim colocou a lupa sobre os manuais de história, revelando a que ponto eles ajudavam não a recordar, mas a esquecer. Segundo ele, isso se fazia para glorificar a versão dos vencedores, ou seja, "a história que mais convém ser contada"

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    Manoel  Bomfim profile picture

    Manoel Bomfim

    Nasceu em Aracaju no dia 8 de agosto de 1868, sendo seus pais Paulino José do Bomfim e Maria Joaquina do Bomfim. Realizou os preparatórios na capital sergipana, revelando, desde criança, grande talento. Estudou na cidade natal até os 12 anos. Em 1886 ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, transferindo-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1888, onde concluiu o curso em 1890, com a tese Das Nephrites. Ainda estudante, militou no “Correio do Povo”, redigido por Alcindo Guanabara. Em 1891, foi nomeado médico da Polícia Militar do Rio de Janeiro. No ano seguinte, passou a tenente-cirurgião da Brigada Policial, posto que ocupou até maio de 1894. Nesta época casou-se com Natividade de Oliveira que foi a sua companheira por toda a vida. Tiveram dois filhos: Aníbal e Maria. A filha faleceu em tenra idade provocando uma dor tão profunda em Bomfim que ele abandonou a Medicina. Ingressou no magistério oito anos depois de formar-se, lecionando Educação Moral e Cívica na Escola Normal do Rio de Janeiro, na qual assumiu a cátedra de Pedagogia e Psicologia. Em viagem a Paris, em 1902, mandado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a fim de estudar os estabelecimentos pedagógicos daquele continente, entre 1902 e 1903, também estudou Psicologia na Sorbonne (França), com o propósito de especializar-se nessa disciplina para estar em condições de melhor desempenhar as suas tarefas no “Pedagogium”. Bomfim estudou com Georges Dumas e Alfred Binet, com quem planejou a instalação do primeiro Laboratório de Psicologia Brasileiro, instalado em 1906 no Pedagogium, do qual foi diretor por quinze anos. De volta ao Brasil,em 1905, foi diretor interino da Instrução Pública do Rio de Janeiro e em 1906 foi nomeado Diretor Geral da Instrução Pública do Distrito Federal. Em 1907, foi eleito deputado estadual e como deputado defendeu importantes projetos no âmbito da educação. Sua extensa obra abrange várias áreas de conhecimento: escreveu sobre História do Brasil e da América Latina, Sociologia, Medicina, Zoologia e Botânica, além de vários livros didáticos, dentre os quais estão alguns de Língua Portuguesa, em co-autoria com Olavo Bilac. Escreveu ainda, na área de Psicologia e Educação, Lições de Pedagogia (1915) e Noções de psychologia (1916), utilizadas como suporte para as suas aulas na Escola Normal. Em 22 de novembro de 1918, foi condecorado pelo rei da Bélgica com o oficialato da Ordem Leopoldo. Exerceu, durante muitos anos, notável atividade jornalística. Na obra Pensar e Dizer: estudo do símbolo no pensamento e na linguagem (1923), Bomfim demonstra domínio das mais importantes correntes de Psicologia de sua época. Escreveu também O methodo dos testes (1926); Cultura do povo brasileiro (1932); Crítica à Escola Activa, O fato psychico, As alucinações auditivas do perseguido e O respeito à criança. Sua obra revela um pensamento original, não articulado às idéias dominantes em sua época e sua interpretação do Brasil apóia-se na análise histórica da colonização, na exploração e na espoliação das riquezas do país, analisando as conseqüências sobre as condições culturais do povo. Defende a expansão da educação pública como meio para a emancipação e para construção de uma sociedade democrática. Suas concepções de Psicologia - seu método e seu objeto - também são destoantes em relação a seus contemporâneos. Considerava o fenômeno psicológico como eminentemente histórico-social, constituído nas relações entre consciências, mediadas pela linguagem, esta entendida como produto e meio da socialização. Criticava a pesquisa de laboratório, em condições que considerava restritas e artificiais. Propôs o método interpretativo para o estudo do psiquismo, baseado no estudo das múltiplas manifestações humanas, historicamente situadas. Bomfim antecipou algumas ideias posteriormente adotadas por Vigotski e Piaget, mas também de Ernst Bloch e Antonio Gramsci em sua interpretação da sociedade. Entretanto, Bomfim foi praticamente esquecido na historiografia brasileira, o que pode ser parcialmente explicado pela contraposição de suas idéias àquele que era em seu tempo o pensamento dominante

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    Sergipe, Brasil

    Manoel Bomfim