Confesso que a obra me decepcionou até o capítulo 7, pois até então era mais a história do Grêmio do que a da Coligay em si, que até este momento em especial, apareceu somente como coadjuvante, enquanto o autor enumerava e citava os grandes jogadores, técnicos e dirigentes gremistas do "mítico" ano de 1977 (tem um capítulo, no final do livro, dedicado somente a este ano, em que o autor cita os acontecimentos relevantes da cultura pop na época, o que eu julgo importante, mas que eu sinceramente não entendi que conexão havia com a Coligay em si, mas enfim). Creio que o fato de Leo Gerchmann ser gremista contribuiu para uma narrativa tão apaixonada e nostálgica, mas creio que o objetivo do livro é um propósito maior que o Grêmio FPBA em si (embora tenha a ver e não há como dissociar, é óbvio) e sim uma torcida que fez História e rompeu preconceitos e barreiras, podendo interessar a todos os públicos e não somente a torcida gremista. Pra quem não é torcedor tricolor, esses trechos apaixonados da história do clube podem ser bem maçantes de ler.
Do capítulo 7 em diante, melhora, pois o autor vai atrás de outros ex-integrantes da Coligay além do seu fundador, Volmar Santos, o que traz a narrativa de volta pra Coligay, que é o tema central do livro.
Acho que o autor deveria ter sido mais enfático no difícil começo da Coligay e das resistências que enfrentou; essa questão fica muito lacônica na obra, o tempo todo só se diz que o início foi ''difícil'' e nada mais. O foco da fala dos ex-jogadores e dos ex-dirigentes é a aceitação após a consolidação da torcida, o que fica muito repetitivo (creio que a insistência dos entrevistados em falar somente no ''depois'' está justamente na mudança de tempos que vivemos, em que pegaria mal falar abertamente de um suposto preconceito tido no passado, focando assim somente no positivo, ou seja, na aceitação de tal torcida). Acredito que deveria ter sido feito um "antes" e "depois" melhores estruturados.
Apesar da crítica acima, a qual eu acrescento alguns erros de escrita e formatação, a obra é boa, principalmente por trazer a tona um tema que infelizmente possui muitos silêncios no dia de hoje, como um dos entrevistados na obra fala. A Coligay é um motivo de orgulho e não de depreciação, e eu como torcedora do Internacional, me sinto extremamente envergonhada ao ver que torcedores do meu time usam a Coligay como motivo de ofensa ao rival. Muito triste. A Coligay vive e resiste e é de todos nós!