Assim como uma obra de arte, uma quadro, manifesta sua genialidade a cada centímetro quadrado de sua composição, com as fotos das multidão se dá justamente o contrário: o excesso de rostos e corpos misturando-se de tal forma que acaba não sobrando "visível" nenhuma cabeça, nenhum corpo. O presente dossiê é na verdade uma tentativa impossível - dar visibilidade, por em evidência o grão de areia de uma dua. Imagens à parte, Sociedade de Massa e Identidade procura estabelecer as várias formas pelas quais "se estabelece" o individuo dentro do plano que se convencionou denominar, para o bem ou para o mal, globalizado. Tarefa titânica, de qualquer ponto que se olhe a questão. Na época da informação total, da segmentação classificatória - e portanto artificial -, sobra o ser humano como uma espécie de náufrago à deriva. À deriva, num momento em que o mundo impõe valores quase absolutos de fora para dentro. Pois, era comum, até algumas décadas atrás, a convicção inabalável. Hoje, quando muito, é possível sustentar uma ou outra ideia. Duas guerras e uma revolução tecnológica brutal trataram de desconectar o homem de si mesmo, e o que sobrou da luta violenta da sobrevivência do "eu" foi uma aproximação cada vez mais perigosa - e contraditoriamente muitas vezes saudável - do "nós". Urras contra a ditadura da informação, por exemplo, é dar murro em ponta de faca. Cada homem, cada mulher, é ao mesmo tempo um universo e parte minuscula, microscópica de um todo.
Revista USP - nº 32 -dez-jan-fev- 1996/97
vários
USP
1996
228 páginas
7h 36m
ISBN-8: 01039989
Português Brasileiro
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