Pra mim, a idéia de pensar se Hitler não tivesse morrido e voltasse nos dias atuais como um cidadão comum foi fantástica. Quando a narrativa começa, a maneira fria e calculista na qual o personagem começa a analisar o que deveria fazer a partir de um pensamento militar e extremamente estratégico já correspondeu às minhas expectativas.
Quando descobre que a guerra acabou há décadas, chama a atenção como cenas do cotidiano aparentemente comuns de alguma forma são estranhas e o incomodam. Basicamente, tudo vira motivo para uma longa e dura reflexão imaginava algo bem parecido pois a idéia do autor é imaginar como Hitler enxergaria a nossa sociedade nos seus moldes de pensamento e isso é perfeitamente bem feito no livro.
Para ele, tudo anda muito confuso e fora de ordem; o país precisa de um punho firme e de um salvador a altura. A história gira em torno de sua tentativa de ser levado a sério e de suas reflexões a respeito da Alemanha atual. Ao longo de seus pensamentos fica clara a crítica ao modo de vida atual. As pessoas são superficiais e dão valor àquilo que, a seu ver, é desnecessário e supérfluo. A sociedade como um todo se tornou muito acomodada e sem determinação. Além disso, sua frustração está sempre presente e, é claro, seu ufanismo aparece em todos os seus discursos.
O personagem é extremamente irônico, seja em seus pensamentos ou durante seus diálogos. Os diálogos, por sinal, são engraçados. Ninguém leva a sério Hitler e tudo o que o personagem diz gera alguma confusão ou algum mal entendido. Algo que aparece algumas vezes durante a história e merece ser discutido, é a marca deixada pelo nazismo na sociedade alemã. Quando Hitler surge como um suposto comediante, nem todos acham muito engraçado seus discursos e comentários sobre os estrangeiros e sobre o governo atual. Alguns conflitos durante a narrativa demonstram como o novo alemão nunca irá esquecer aquilo que a intolerância nazista plantou. O livro é uma narrativa extremamente inteligente. A leitura é fácil, leve e rápida também.