O número atual de História da Historiografia traz um dossiê que expressa uma preocupação que nunca saiu da pauta dos historiadores: a questão da biografia. Trata-se de um tema que sempre ocupou um espaço significativo no interior dos estudos históricos e que recebeu nesta edição contribuições destacadas que buscam realizar novas inquirições e apontar diferentes agendas de investigação acerca do significado dos indivíduos na história. Organizado por Márcia de Almeida Gonçalves e Maria da Glória de Oliveira o dossiê abre com uma entrevista com Sabina Loriga, diretora da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS-Paris) e estudiosa do tema com recente livro publicado a respeito, cujas perguntas foram conduzidas por Adriana Barreto de Souza e Fábio Henrique Lopes. No mesmo dossiê, encontram-se os artigos de Renata Torres Schittino analisando as biografias produzidas por Hannah Arendt em seu percurso formativo, uma delas sobre Rosa Luxemburgo, algo incomum na prática filosófica. Eliane Misiak, por sua vez discute mais um retorno de algo que jamais havia saído da tela dos historiadores: os indivíduos – nele a autora demonstra, à luz da teoria semiótica, como o assunto era apreendido no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. A seguir Rejane Maria Bernal Ventura realiza esforço crítico consistente revelando a pertença de conceitos teóricos de Lodovico Dolce a Giorgio Vasari. Evandro Santos apresenta a presença do gênero biográfico na escrita da história de Varnhagen, maior historiador brasileiro do século XIX. Adriana Barreto de Souza mostra os desafios vividos para se pensar as escolhas e as intervenções metodológicas feitas para se produzir um estudo em torno do duque de Caxias. Alexandre de Sá Avelar contempla a relação complexa da biografia no interior das ciências humanas a partir da obra de Wilhelm Dilthey, avaliando as formulações pontuais deste renomado pensador alemão sobre o gênero, relacionando-as com o problema da subjetividade, dos limites da representação narrativa e sobre os dilemas do binômio liberdade-determinismo. Na sessão de artigos livres encontramos uma rica amostra da pujança que os estudos de teoria da história e de história da historiografia têm conhecido no Brasil. Múltiplos resultados de pesquisas que surgem, tratando de variados objetos e problemas. Cleber Vinícius do Amaral Felipe analisa a trajetória do conceito de prudência, problematizando a questão da busca de suas origens e analisando suas mutações ao longo do tempo. Carlos Mauro de Oliveira Júnior contempla a definição do político a partir de um contraponto entre Pierre Rosanvallon e Marcel Gauchet tendo como subsídio a história conceitual. Renata Dal Sasso Freitas trata das apropriações literárias da prosa romanesca norte-americana na primeira metade do século XIX, tomando como objeto a obra de James Fenimore Cooper, autor do relato sobre a Guerra de Independência americana (1775-1783). Dalton Sanches realiza um debate historiográfico em torno da obra Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, deslindando mutações das linhas interpretativas construídas a respeito da mesma a partir dos anos 1950 e 1960. Guilherme Pereira das Neves avalia a tensão na prática historiográfica, que toma vigor a partir do século XVIII, discutindo a crescente profissionalização do campo no mundo ocidental, bem como avaliando a situação da disciplina histórica no Brasil. Por fim encontram-se reunidas diversas resenhas produzidas a respeito de obras recentemente lançadas que se voltam para o eixo de preocupações em torno das quais tem se dedicado este periódico, no intuito de se pensar a produção no campo da teoria da história e de história da historiografia, acompanhado o estado da arte no país e no exterior. Os editores Arthur Alfaix Assis (UnB) Julio Bentivoglio (UFES) Rebeca Gontijo (UFRRJ
