Em 2010, ocorreu um encontro internacional de revistas de história no Colégio do México, sob o título “Escribir y leer: lengua, autoridad y plataforma tecnológica em revistas de historia”. O objetivo era discutir alguns desafi os do trabalho acadêmico e da editoria de revistas científi cas da área. O documento produzido foi intitulado Declaración de el Colegio de Mexico e divulgado no Brasil pela revista Tempo (UFF). Entre várias colocações relevantes, escolhemos destacar aqui uma constatação feita durante o encontro: a de que os níveis de interação entre as historiografi as nacionais são muito limitados. Em parte, isso parece estar relacionado a outro aspecto apontado pelo documento: a forte autorreferencialidade, característica de toda disciplina monolíngue e nacional. Resta compreender os processos de difusão dos estudos históricos. Quais seriam os diálogos possíveis e o nível do conhecimento acerca da produção historiográfi ca de diferentes países que compartilham ou não o mesmo idioma? Haveria temas e problemas comuns capazes de suscitar diálogos internacionais e favorecer a constituição de redes de pesquisa? Pensando nisso, este número apresenta o dossiê Diálogos historiográfi cos: Brasil e Portugal, organizado por Iris Kantor (Universidade de São Paulo) e Tiago C. P. dos Reis Miranda (Universidade Nova de Lisboa), um convite à refl exão sobre questões, debates e formas de abordagem que marcaram as historiografi as portuguesa e brasileira. É um modo de incentivar outros diálogos sobre novos e velhos temas, com base na identifi cação das confl uências e dos distanciamentos, cujo desconhecimento, acreditamos, é um dos obstáculos à internacionalização da produção historiográfi ca. E na seção de artigos livres, oferecemos uma amostra das refl exões que historiadores de diversos países (Argentina, Brasil, Espanha e França) têm produzido sobre temas capazes de despertar interesse para além da língua e dos casos nacionais: a história do tempo presente e a problemática da memória; o jogo semântico entre mito e logos na escrita da história; a questão da subjetividade do historiador; a relação entre teoria e práxis na obra de Antonio Gramsci; a produção de uma obra clássica, Le problème de l’incroyance au XVIe siècle, de Lucien Febvre; e o desafi o hermenêutico frente à historiografi a neopositivista. Todos os temas pertinentes para a compreensão dos problemas colocados aos historiadores de ontem e de hoje. Por fi m, convidamos os leitores a explorar nossa seção de resenhas, cada vez mais importante, considerando a ampliação veloz e constante das publicações. Boa leitura! Os editores, Arthur Alfaix Assis (UnB) Julio Bentivoglio (UFES) Rebeca Gontijo (UFRRJ)
