Uma HQ de sua época
Este é um quadrinho muito estranho, de uma época muito estranha na Marvel Comics. Fez parte da iniciativa Marvel Knights, uma das muitas que visavam promover quadrinhos melhores e mais acessíveis para iniciantes, no início dos anos 2000, após o caos dos anos 90. O cineasta Kevin Smith, um aficionado por super-heróis, foi contratado para lançar um novo volume do Demolidor com esta saga de 8 partes, com uma premissa que prometia um mergulho em um dos aspectos, até então, menos explorados do personagem: sua religião. A premissa, porém, na minha opinião, se perde em uma tentativa descarada de recriar, ou remixar, os "maiores sucessos" da história do personagem especialmente Born Again. Isso é quase declarado na última parte da história, em um monólogo do protagonista ao vilão, quase um substituto do autor, que parece quebrar a quarta parede. Apesar disso tudo, há coisas para se apreciar nesta série. A arte de Joe Quesada é icônica e a colorização é ótima, especialmente considerando a época delicada em que foi lançada, os primórdios da colorização digital. Há muitos momentos importantes e com insights profundos dos personagens nesta HQ que mereciam uma história a altura. O status quo estabelecido ao final desta edição ancora a, esta sim extremamente bem sucedida, fase de Brian Michael Bendis do personagem, ao retornar nossos heróis à estaca zero, após décadas de bagagem, e vale o reconhecimento.

