O Autor, Patrick, começa o livro com a seguinte frase; Você talvez não queira comprar este livro.
Entenda que para conseguir compreender esta resenha por um todo, terá que saber o quão fa eu sou de Patrick Rothfuss e a série The Kingkiller Chronicles.
Então quando li esta primeira frase, estremeci. Este tipo de comentário só pode ter dois significados, o Autor realmente crê que seu livro não será apreciado por todos ou uma jogada de marketing; ambas as opções não me pareceram muito apetitosas.
O livro então começa com Auri, uma personagem misteriosa, sem muitas informações sobre suas origens, mas que é meiga, inocente e bastante fora do conceito de normal. Na saga principal, Auri é sempre vista pelos olhos de Kvothe. Neste livro, nós vemos o mundo pelos olhos dela. Em seus olhos, o conceito do mundo em si tem uma perspectiva completamente diferente.
O livro conta a história de uma semana de Auri, enquanto ela espera por Kvothe. Ela vive só nos subterrâneos da Universidade, e neste livro, descobrimos como ela consegue se manter viva.
Se você leu a frase acima e acreditou que há qualquer tipo de ação relacionada, esqueça. Este livro não é para os que buscam aventuras, lutas e romances épicos. Este livro é sobre a tudo isso, mas dentro da mente de uma garota que não vê o mundo como nós.
Vou explicar melhor, Auri é nossa protagonista. Os personagens secundários são uma luz alquímica criada por ela (a qual ela nomeou de Foxen) e uma roda dentada, parte de uma engrenagem. Não há diálogos, não há música, não há o todo que faz The Kingkiller Chronicles tão épico. Há apenas Auri, e sua busca pelo presente perfeito para Kvothe. A trama do livro é essa, não há ápices. Auri parassa o livro todo buscando a harmonia do mundo a sua volta, mudando objetos de local, entendendo suas emoções e vontades.
Se até este momento o livro não foi vendido, ou a resenha parece ser negativa, é compreensível. O livro não é tao simples, e creio que a quantidade de teorias que serão criadas dele será abismal. Não entrarei em detalhes de como creio que este livro reflete diversos campos estudados pela psicologia, de como por trás das simplicidades exóticas de Auri, conseguimos um diagnóstico de diversas peculiaridades mentais. A escrita de Patrick, como sempre, é fluente, bela e tocante. A escolha de palavras é impressionante e o vocabulário é magnífico.
No final do livro, há uma nota, explicando sua criação e para quem ele é direcionado. Nao acho que um livro deveria ter ou necessitaria tantas notas do Autor, e por isso, lhe dei uma nota menor do que gostaria.
Em suma, o livro é diferente de tudo que as pessoas estão acostumadas a ler. Ele não te prende como uma história, mas como uma sensação. A descrição do Underthing (O subterrâneo dos Arquivos) é bem feita, e conseguimos ter uma pequena nocao de quão belo, selvagem e claustrofóbico deve ser a vida de Auri. O livro é o que é. Não há muito o que ser falado sobre ele. Se você estava esperando um bocado da continuação da The Kingkiller Chronicles ficará desapontado. Se você busca entender o personagem Auri, como ela é, vai se deleitar.
OS: Li todos os livros de Patrick em inglês, por isso não sei os detalhes em português.