"Trata-se de romance amazônico. Conta a trajetória do caboclo Manduca: homem reto de caráter, que busca meios dignos de viver - não apenas sobreviver - e sonha com a prosperidade de sua família. Mas após muito 'trabucar', Manduca muda o curso de sua vida e, em decadência, estagna-se como ser humano sem reflexão, apenas reflexos de uma sobrevivência atemporal, alimentada por lembranças de um passado de tenacidade e tênue perspectiva de futuro.
Manduca é o amazônida forte, corajoso, lutador. Completa o quadro dos homens das diferentes regiões brasileiras, descritos por Euclides da Cunha, Guimarães Rosa ou Érico Veríssimo. Todos eles, vencidos por suas limitações perceptivas, quebram-se em fragmentos, não obstante suas forças na 'teima' pela vida.
Acrescente-se a esses aspectos um dado precioso para a leitura desta obra: o narrador não é indeterminado. A autora, que apresenta protagonista masculino pela primeira vez em seus trabalhos, evidencia que este está sob uma ótica feminina: a de Emiliana. É a mulher que vê, descreve e dá as falas do homem.
A presença de Emiliana neste romance indica que a perspectiva da autora não foi alterada. Emiliana é a presença predominante ao narra e descrever os fatos.
Uma viagem metafórica se forma ao longo da obra: a da castanheira. Símbolo de resistência, de beleza, onipresença, a castanheira que alimenta, dá sombra e sustento ao caboclo, com ele se confunde na persistência pela vida. Na vida de Emiliana, Manduca foi tal qual um,a castanheira. Para Manduca, a castanheira sempre foi uma referência.
Quem são Manduca, Emiliana e os castanhais? Somos nós. Seres humanos, que percebendo neles nossas histórias, podemos transformá-las. É esse o desejo da autora, não apenas artista pela arte, mas - assim percebemo-la na obra - uma artista pelo ser humano. O êxito desse romance será dado por essa nossa percepção."
LIA BRAGA VIEIRA (Trechos da Apresentação da obra)