Filhos de Duna fecha com maestria a primeira trilogia, aprofundando ainda mais nesse universo gigantesco, trazendo várias reflexões sobre religião, política, alteração do ambiente por parte do homem, divinizacão de uma figura política e suas severas consequências, além de apresentar mais facetas do avanço mental que parte da população desse universo alcançou ao longo do tempo.
Desde o segundo livro as críticas sobre uma política embasada em religião e divinização do seu líder foram muito presentes. Em Filhos de Duna, Frank Herbert consegue aprofundar mais um pouco nisso, mostrando como todo esse endeusamento pode trazer consequências preocupantes.
Outro ponto interessante dessa obra é a explanação de como as mudanças ambientais causadas pela nova ordem política modificaram a vida de toda a população. Em alguns pontos as mudanças foram positivas, de fato, mas será que é correto alterar tanto um ambiente cuja ecologia estava perfeitamente estável durante tanto tempo? A mudança, mesmo que tenha ótimas intenções, nunca traz apenas prós.
As tramas que acontecem são muito bem construídas e trabalhadas, similarmente ao que ocorre nos livros anteriores. O autor conseguiu unir muito bem uma parte mais densa, focando muito em política, religião e ecologia, mas também trouxe ação e tramas em segundo plano que interferem diretamente nas histórias principais.
Falando um pouco mais da trilogia como um todo, os 3 livros se complementam demais e fecham um arco muito coeso e consistente. Comecei o primeiro livro achando que seria apenas uma história sobre um planeta deserto com vermes, e saio do terceiro tendo outras visões sobre política-religiosa, alteração do meio ambiente e muito mais.