Sabe quando você começa a ler um livro, e esse começa a ficar tão interessante que lhe prende a atenção de tal forma que logo nas primeiras páginas você quer saber o final da história?
Pois é, está foi a minha sensação quando comecei a ler O Açougue Maldito, livro de estreia do escritor e professor Luiz Augusto Pereira.
No início há pequenos erros de pontuação que acabaram dificultando um pouco a leitura, mas logo depois já não era mais perceptível. Os capítulos foram bem divididos, permitiram-me pausar a leitura sem prejudicar o sentido da história. Ou seja, poderia ler tranquilamente um capítulo inteiro durante o meu percurso ao trabalho (mais ou menos 15 minutos), na hora do almoço, de volta para casa.
Bem descritivo, o narrador-onisciente soube passar bem o enredo da história, usando o fluxo da consciência em determinadas partes. É possível sentir bem o que se passa com a personagem Rose, principalmente no penúltimo e ultimo capítulos.
Uma história de terror e suspense muito bem contada, cheia de detalhes e intrigante. Baseada nos fatos reais ocorridos na cidade de Porto Alegre, no ano de 1863 (uns dizem 1864), chamado de “Os Crimes da Rua do Arvoredo”, que nos deixa ainda mais boquiabertos. Rose, personagem principal, em meio a ditadura militar que assombra principalmente as grandes cidades, decide voltar a pequena cidade natal com seu filho de três anos após a morte de seus pais e de seu marido. A pequena cidade, até então bucólica, tem sofrido com sumiço de muitas pessoas, incluindo seus pais. Chegando na cidade ela se depara com muitos cartazes de pessoas desaparecidas. Ao se instalar na casa de seus pais coisas estranhas começam acontecer e a cada capítulo a tensão só aumenta.
Me fez imaginar um filme muito bem produzido com ótimos atores (desconhecidos para tornar mais real) em um cenário bucólico e ao mesmo tempo sombrio. Sem efeitos especiais, somente a boa e velha interpretação.
Enfim, livro indicadíssimo!