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    O Valor do Riso e Outros Ensaios -

    Virginia Woolf

    Cosac Naify
    2014
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9788540506060
    Português Brasileiro
    4.3
    155 avaliações
    Leram233Lendo64Querem969Relendo1Abandonos14Resenhas13
    Favoritos36Desejados969Avaliaram155

    Em trabalho primoroso, o crítico e poeta Leonardo Fróes selecionou e traduziu 28 ensaios de Virginia Woolf, a maior parte inédita no Brasil. Os textos foram produzidos entre 1905 e 1940, publicados originalmente como artigos para jornais e revistas com os quais Virginia colaborava. Neles, é possível verificar o mesmo talento da ficcionista, agora aplicado a outro gênero, através do qual vemos uma Virginia mais mundana, voltada para os movimentos exteriores: eis aqui uma observadora afiada, resenhista destemida, além de crítica perspicaz e militante. Em “Mulheres e ficção”, por exemplo, a autora avalia a evolução da escrita feminina em paralelo à própria libertação da mulher. Em “Batendo pernas nas ruas: uma aventura em Londres”, a compra de um simples lápis se transforma numa forte experiência de abertura ao mundo. Há também ensaios que traçam perfis de mulheres fascinantes, das mais conhecidas – como Jane Austen, Sara Bernhardt e Dorothy Wordsworth – até as esquecidas Lady Elizabeth Holland e Louise de La Valière. Em outros textos, Virginia trata – e muitas vezes põe em xeque – dos ofícios das letras; é o caso de “Como se deve ler um livro?”, “O leitor comum”, “A arte da biografia” e os corajosos “Resenhando” e “Ficção moderna”.

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    Aguinaldo Medici Severino29/03/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    o valor do riso e outros ensaios

    Nesse volume estão reunidos 31 ensaios de Virginia Woolf originalmente publicados em jornais ou revistas inglesas e americanas, entre os anos 1925 e 1942. Muitos deles chegaram a ser reunidos em livro por ela mesma nos anos 1920 e 1930. Ela foi uma resenhista profissional, disciplinada, tendo publicado centenas de ensaios por encomenda, mas que também soube utilizar esse formato para reflexões sobre o ofício do escritor e a literatura de sua época. Ela identifica duas atitudes em sua atividade profissional. O que ela chama de resenha é o registro breve sobre o novíssimo, o que ainda cheira a tinta de impressão; o que chama de crítica são os ensaios longos sobre o antigo, aquilo que já não desperta a curiosidade imediata do público comum, mas mereceria ser reavaliado. Claro, ela sabe dos muitos livros que transitam ao longo do tempo pelos dois lados desta classificação. Virginia Woolf faz questão de devolver ao leitor a responsabilidade sobre a avaliação de um livro. O entendimento de suas impressões é uma tarefa que envolve técnica, hábito, disciplina, mas com espaço de sobra para mecanismos subjetivos e inconscientes, transformadores. Em geral ela argumenta sobre a estrutura, virtudes, defeitos, personagens de um livro para logo perguntar ao leitor se ele não se inclinaria para um ponto de vista distinto, contrário, conflitante. O que ela pensa sempre é explicitado. Ela sugere que cada livro deva ser sempre comparado com os melhores "de sua espécie", mas sabe que poucos sobreviveriam à crítica caso aplicássemos inapelavelmente esse critério. Apesar de pelo menos um terço dos ensaios reunidos nesse volume tratarem das várias facetas do ofício do escritor nem todos os ensaios tratam especificamente de livros publicados ou autores. Há peças que são líricas, descrevem uma visita, viagens, registram um estado de ânimo, aconselham, são quase panfletários e se prestam ao debate político, produtos de uma mulher que sempre foi muito participativa, ativa socialmente. Entretanto nem tudo é exatamente ponderado (temos que considerar que são textos produzidos em duas décadas de atividade, em que seu entendimento das coisas naturalmente modificou-se). Num artigo de 1939 ela condena totalmente a atividade do resenhista, sugere que por terem deixado de ter importância tanto para os autores quanto para o público leitor, extingui-los deveria ser uma obrigação social. Num artigo de 1919 ela louva James Joyce (o mais notável de sua época, ela diz), para logo classificar o Ulysses de monumental fracasso, em 1923. A edição da Cosac é um assombro de completa. Inclui toda a bibliografia de Virginia Woolf, inclusive identificando todas as traduções para o português; um índice das obras e nomes citados nos ensaios, o que facilita muito entendermos a evolução de suas idéias sobre um determinado autor; um indíce dos livros explicitamente resenhados por ela e uma curta biografia. Leonardo Fróes não apenas fez a tradução, mas assina também uma boa introdução. Vale. [início: 10/02/2016 - 17/02/2016] "O valor do riso e outros ensaios", Virginia Woolf, tradução de Leonardo Fróes, São Paulo: editora CosacNaify, 1a. edição (2014), brochura 14x20 cm., 512 págs., ISBN: 978-85-405-0606-0 [edição original: The Essays of Virginia Woolf (San Diego: Harcourt Brace Jovanovich) 1987-2011]

    3 curtidas

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    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas1%
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    Adeline Virginia Stephen Woolf

    Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio. Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário. Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e se mata de forma triunfante.

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    Adeline Virginia Stephen Woolf