O xará -

    Jhumpa Lahiri

    Biblioteca Azul
    2014
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-13: 9788525057327
    Português Brasileiro

    Gógol Ganguli tem nome russo, sobrenome indiano e um espírito dividido entre diferentes modos de vida. É com esses elementos, transformados por uma prosa tão delicada quanto profunda, que Jhumpa Lahiri comprova em seu primeiro romance as qualidades que lhe renderam o prestigiado prêmio Pulitzer por seu livro de estreia, a coletânea de contos Intérprete de males. Uma das mais importantes vozes da literatura em língua inglesa, a autora é convidada da Flip em 2014. O protagonista de O xará, Gógol, sente-se perdido entre duas culturas: a dos Estados Unidos, onde nasceu e vive, e a que veio da Índia e nos corações de seus pais, imigrantes em busca de oportunidades em território americano. No novo país, sua mãe logo começa “a se dar conta de que ser estrangeira é uma espécie de gravidez eterna — uma espera perpétua, um fardo constante, um sentimento contínuo de indisposição”. Recém-chegados, ela e o marido enfrentam um primeiro e significativo obstáculo: são obrigados a registrar o filho ainda na maternidade, antes de o “nome bom” – o que deve ser usado na vida pública, por tradição escolhido pela avó materna – chegar por carta de Calcutá. É por essa razão que, além do sobrenome indiano, Gógol tem de aprender a lidar com o nome de batismo que homenageia o grande escritor russo. O romance acompanha a família Ganguli em suas constantes viagens, físicas ou espirituais, entre tradições e costumes, entre a Índia e os Estados Unidos, entre o passado e o presente. São as tentativas de lidar, da infância à maturidade, com o choque das culturas e suas consequências na vida de uma pessoa comum – na relação com os pais, na educação sentimental, na vida profissional – que dão o tom em O xará.

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    Aline Teodosio13/05/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Gógol Ganguli é filho de indianos, mas nasceu nos Estados Unidos. Por ter um contato direto com duas culturas completamente diferentes, Gógol enfrentou ao longo da vida muitos conflitos internos. Neste romance de formação, temos um personagem principal que busca desesperadamente se encontrar, se encaixar. É a busca por um eu, por uma identidade, já que ele não se sente nem completamente americano e nem completamente indiano. Fico pensando no quanto deve ser mesmo difícil essa sensação de ser um estranho no ninho, tendo que se adequar à pátria em que nasceu, mas sem abandonar os costumes e valores de suas raízes. Aqui, acompanhamos por meio de uma escrita sensível, boa parte da trajetória de Gógol, desde o seu nascimento, a escolha do nome, sua infância, adolescência, juventude e parte da vida adulta. Por falar em nome, sim, Gógol faz alusão ao famoso escritor russo Nikolai Gógol. E a escolha desse nome foi por um motivo bem forte (vai ter que ler pra saber). Ponto alto que eu amo na literatura: esse é também um livro que fala de livros. Várias obras foram citadas: Orgulho e preconceito, O Hobbit, O Guia do mochileiro das galáxias, Crime e castigo, O vermelho e o negro, O grande Gatsby e, claro, obras de Gógol como Almas mortas, o Nariz e O Capote. (Aliás, agora preciso ler O Capote pra conseguir dormir em paz outra vez rsrsrs).

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