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    A Educação pela Guerra -

    Evaldo Cabral de Mello

    Penguin Companhia
    2014
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-13: 9788563560988
    Português Brasileiro
    3.4
    4 avaliações
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    Os textos desta memorável seleta da obra de Evaldo Cabral de Mello compõem um panorama multifacetado das tramas políticas, sociais, econômicas e militares que fizeram de Pernambuco uma das regiões mais rebeldes da América Portuguesa e do Império do Brasil. Organizado pelo próprio autor, o livro abrange os dois primeiros séculos da história colonial de Pernambuco. Por sua lucrativa produção açucareira, a capitania fundada por Duarte Coelho e seus descendentes foi a mais rica da colônia antes da descoberta do ouro em Minas Gerais. Segundo Cabral de Mello, o nativismo da açucarocracia local está na origem das revoluções antimonarquistas do século XIX, e se forjou ao longo de uma sequência sangrenta de guerras contra os índios, os holandeses e os portugueses. Amparado numa obstinada pesquisa em documentos da época, o autor de clássicos como A fronda dos mazombos e O nome e o sangue reconstitui a evolução da sociedade açucareira paralelamente a eventos-chave como a ocupação holandesa (1630-54) e a Guerra dos Mascates (1710-11). Com grande valor literário, a narrativa histórica de A educação pela guerra também focaliza a vida cotidiana dos habitantes de Pernambuco no período colonial.

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    Maria Carolina picture
    Maria Carolina07/12/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma análise lúgubre e incisiva sobre como a guerra molda a nossa identidade.

    O livro que me tocou pela forma sóbria e profunda com que aborda a Guerra do Paraguai, refletindo sobre como a guerra é um dos principais instrumentos de formação do Brasil. A obra vai além dos fatos históricos e entra nas complexidades de como a guerra moldou nossas estruturas sociais e educacionais, algo que, confesso, me surpreendeu. Cabral de Mello nos leva a refletir sobre o poder da educação, que, ao ser manipulada pelas necessidades bélicas, forjou uma geração de homens marcados pela brutalidade da guerra. A capa do livro, vibrante e com um tom bem militar, reflete muito bem a temática, uma pintura clássica do século XIX, evocando a Guerra do Paraguai, como a obra de Fransisco Goya, onde a tragédia e a humanização do conflito se mostram em tons sombrios. Essa arte encaixa-se muito bem no conteúdo da obra, que me deixou pensativa, especialmente no momento em que o autor explora como a guerra não só destrói, mas também molda, reconfigura a identidade nacional. Esse tipo de reflexão me tocou profundamente. A leitura flui bem, mas com profundidade. Em torno de 10 horas de leitura, o ritmo é lento, com um tom reflexivo que exige pausa e meditação sobre as implicações que a guerra teve na construção da sociedade brasileira. O livro não é apenas uma análise histórica, mas uma crítica sobre como a guerra e suas cicatrizes se refletem nas gerações seguintes, algo que exige uma maior maturidade para compreender as implicações desse tipo de formação, não sinto que uma pessoa com menos de 16 anos teria maturidade para digerir a obra.

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    3.4 / 4
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    Evaldo Cabral de Mello

    Evaldo Cabral de Mello (Recife, 1936) é um historiador e escritor brasileiro. Autor de dez livros, é considerado um dos mais importantes pesquisadores do período da dominação neerlandesa em Pernambuco no século XVII. Foi também diplomata, até se aposentar. Voltado para o estudo da história nordestina, em especial o ciclo da cana-de-açúcar. Representou o Brasil nos Estados Unidos, Espanha, França, Suíça, Portugal e Trinidad e Tobago, onde serviu como embaixador. É irmão do poeta e também diplomata João Cabral de Melo Neto e primo do sociologo Gilberto Freyre, bem como do poeta Manuel Bandeira, todos eles já falecidos.

    20 Livros
    26 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Evaldo Cabral de Mello