Jogo de Búzios' foi idealizado por Ronaldo Antonio Linares com o intuito de apresentar as especificidades desse oráculo sob a ótica umbandista, bem como desmistificar as comparações entre as religiões afro-brasileiras, Candomblé e Umbanda.
JOGO DE BÚZIOS -
RONALDO ANTONIO LIMARES
Resenha
Apesar de ser um livro curto, Jogo de Búzios é extremamente sucinto e objetivo ao abordar o tema do jogo de búzios sob a ótica da Umbanda. A obra se destaca por desmistificar diversas crenças, teorias e definições tradicionalmente associadas ao jogo de búzios de origem no candomblé, especialmente aquelas consideradas ambíguas, subjetivas e de difícil interpretação. O autor questiona a forma como, em muitos casos, a leitura fica excessivamente dependente da interpretação pessoal do babalorixá ou babalaô, que acaba assumindo a responsabilidade de dizer o que foi ou não dito pelos búzios. Além disso, o livro critica práticas comuns como determinações de entregas, oferendas obrigatórias, cobranças financeiras e exigências atribuídas tanto a entidades quanto a orixás — pontos que não condizem com o fundamento central da Umbanda, que é a manifestação do espírito para a caridade. Ao diferenciar claramente o jogo de búzios do ODUS do jogo de búzios praticado na Umbanda, a obra oferece uma visão esclarecedora e coerente com os princípios umbandistas. Para além dessa desmistificação, o livro apresenta um rico contexto histórico, explicando como o jogo era realizado na África, o significado de cada búzio, como cada concha representa um orixá e sua energia, e de que forma essas energias se manifestam orientadas pela força maior de Ifá. O autor explica como os búzios comunicam o que é, o que foi e o que será, além de como indicam respostas positivas ou negativas dos orixás. Há também explicações importantes sobre a leitura da cabeça de um filho de santo, a identificação do orixá de frente e do adjunto, e uma sessão particularmente interessante sobre a consagração dos materiais, dos próprios búzios e do sacerdote. Essa consagração é apresentada como um processo profundo de dedicação a Ifá, no qual o sacerdote deixa de ser apenas um babalorixá e se torna um babalaô, consagrando não só seus instrumentos, mas a si próprio enquanto intérprete do oráculo. Mesmo curtinho, trata-se de um livro muito rico em conteúdo. A leitura é rápida, fluida e extremamente satisfatória, trazendo bastante conhecimento de forma direta e acessível e com muitas ilustrações. É exatamente o tipo de leitura que me agrada: objetiva, fundamentada e profundamente esclarecedora.
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