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    O conde e o Passarinho -

    Rubem Braga

    Record
    1982
    194 páginas
    6h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    10 avaliações
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    Favoritos1Desejados43Avaliaram10

    Acontece que o Conde Matarazzo estava passeando pelo parque. O Conde Matarazzo é um Conde muito velho, que tem muitas fábricas. Tem também muitas honras. Uma delas consiste em uma preciosa medalhinha de ouro que o Conde exibia à lapela, amarrada a uma fitinha. Era uma condecoração (sem trocadilho). Ora, aconteceu também um passarinho. No parque havia um passarinho. E esses dois personagens – o Conde e o passarinho – foram os únicos da singular história narrada pelo Diário de São Paulo. Devo confessar preliminarmente que, entre um Conde e um passarinho, prefiro um passarinho. Torço pelo passarinho. Não é por nada. Nem sei mesmo explicar essa preferência. Afinal de contas, um passarinho canta e voa. O Conde não sabe gorjear nem voar. O Conde gorjeia com apitos de usinas, barulheiras enormes, de fábricas espalhadas pelo Brasil, vozes dos operários, dos teares, das máquinas de aço e de carne que trabalham para o Conde. O Conde gorjeia com o dinheiro que entra e sai de seus cofres, o Conde é um industrial, e o Conde é Conde porque é industrial. O passarinho não é industrial, não é Conde, não tem fábricas. Tem um ninho, sabe cantar, sabe voar, é apenas um passarinho e isso é gentil, ser um passarinho.

    Resenhas (1)Ver mais
    Wanessa T. Da Rosa picture
    Wanessa T. Da Rosa02/04/2026Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    O príncipe da crônica

    A escrita de Rubem Braga foi uma maravilhosa surpresa. O cara escreve coisas que doem, que te deixam arrepiado, que te fazem rir e, à medida que você vai entendendo a história desse homem, fica ainda mais admirado. Ele escreve sobre dor, sobre luto, sobre se perder nas trincheiras, porque, meus caros, Rubem Braga era correspondente e esteve junto do Exército Brasileiro na tomada de Monte Castelo. Poderia ter escrito sobre os grandes homens e os grandes feitos, mas escreveu sobre os soldados, sobre os padeiros, sobre os vendedores humildes ou seja, escreveu sobre o povo de verdade. Voltarei com muito prazer aos escritos desse poderoso jornalista que, me atrevo a dizer, é meu cronista favorito.

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    Rubem Braga profile picture

    Rubem Braga

    Biografia Iniciou-se no jornalismo profissional ainda estudante, aos 15 anos, no Correio do Sul, de Cachoeiro de Itapemirim, fazendo reportagens e assinando crônicas diárias no jornal Diário da Tarde. Formou-se bacharel pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1932, mas não exerceu a profissão. Neste mesmo ano, cobriu a Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo, na qual chega a ser preso. Transferindo-se para Recife, dirigiu a página de crônicas policiais no Diário de Pernambuco. Nesta cidade, fundou o periódico Folha do Povo. Em 1936 lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, e fundou em São Paulo a revista Problemas, além de outras. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou como correspondente de guerra junto à F.E.B. (Força Expedicionária Brasileira). Rubem Braga fez diversas viagens ao exterior, onde desempenhou função diplomática em Rabat, a capital do Marrocos, atuando também como correspon­dente de jornais brasileiros. Após seu regresso, exerceu o jornalismo em várias cidades do país, fixando domicílio no Rio de Janeiro, onde escreveu crônicas e críticas literárias para o Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão. Sua vida como jornalista registra a colaboração em inúmeros perió­dicos, além da participação em várias antologias, entre elas a Antologia dos Poetas Contemporâneos.

    76 Livros
    149 Seguidores
    Espírito Santo, Brasil

    Rubem Braga