Nascido Milton Viola Fernandes (o apelido Millôr se deu por conta da péssima grafia do cartorário que lavrou sua certidão de nascimento), parece que o autor escreveu esse livro ontem, mas ele é, na verdade, de 1978! Nele, Millôr (voltemos ao nome adotado pelo "de cujus") destila toda sua acidez e fina ironia contra a sociedade (como um todo) e o governo (em específico) brasileiros. Cirúrgico e certeiro como sempre, é um livro é pesado (apesar de seus 300 e poucos gramas), violento (mas não recomendo sua utilização em uma briga de rua) e profundo (ainda que usando de muito bom humor - a mais temida arma já criada), demonstrando toda a coragem e o espírito provocativo que o autor teve ao retratar as mazelas e as incongruências de ditadura militar (para Millôr, "inteligência militar" era uma contradição em termos), dos governos em geral (com seu excesso de leis e impostos) e de nossa sociedade apática (que só quer desfrutar de seus privilégios e prazeres). Enfim, uma sátira perfeita acerca da época em que foi escrita.
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Ainda que escrito em 1978, é interessante perceber como quase nada mudou em nosso país desde então: substitua o nome da moeda (de cruzeiro para real), o telefone pelo computador (ambos só funcionando quando e do jeito que querem), o nome do sistema de governo e alguns outros detalhes de pequena (ou nenhuma) importância, e verá que a pergunta título do livro permanece sem resposta!