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    W ou a memória da infância -

    Georges Perec

    Companhia das Letras
    1995
    196 páginas
    6h 32m
    ISBN-11: 8571644969_
    Português Brasileiro
    4.4
    20 avaliações
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    Favoritos5Desejados92Avaliaram20

    W é o nome de um lugar, um país imaginário, a Terra do Esporte. É a fantasia kafkiana de um mundo inteiramente controlado, encobrindo as memórias de um menino judeu que perdeu os pais na guerra. A alegoria é talvez mais verdadeira que as memórias "reais" desse menino agora adulto e obrigado a valer-se do esquecimento - e da memória - como formas de sobrevivência. Alternando narrativa autobiográfica e ficção, W, ou a memória da infância é um dos mais tocantes relatos modernos da guerra, que, porém, não aparece nenhuma vez, ou apenas nos vazios e máscaras da memória. Equilibrado entre o esquecimento e a fabulação, o narrador se esforça como pode, convocando nosso auxílio, para reconstruir os vínculos entre passado e presente.Todo o virtuosismo do autor de A vida, modo de usar está a serviço, aqui, desta causa: resistir às perdas humanas, num mundo desumanizado. É um testemunho muito pessoal e íntimo de resistência à ameaça das guerras e do totalitarismo.

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    Christiane Depooter picture
    Christiane Depooter24/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro de memórias, mas memórias que não existem, que precisam ser resgatadas, recuperadas, e que se apresentam sempre misturadas a outros eventos, imaginárias, sem muita confirmação. Perec era criança quando a Segunda Guerra começou, ficou órfão. Ele começa nos dizendo que não tem nenhuma memória de infância, e se lança na escrita na tentativa de recuperá-las. Nem sempre é possível ou fácil colocar em palavras o que se viveu, e paralelamente ele escreve uma história, a história de W, uma narrativa fantasiada pelo autor aos doze anos. Mas qual será a mais verdadeira? Nossa memória sempre reconstitui um romance, pega pedaços do que vivemos e condensa, formando uma história coesa, mas quando não se tem esta possibilidade de coesão e se está no caos, pode-se também inventar, imaginar, criar uma história. Ele irá alternar pedaços de sua vida, do que consegue se lembrar ou pensa ter sido assim, com a história de W. W, a terra do esporte, um Estado-máquina. Ao ler estes trechos me vieram duas versões. A primeira seria a maneira de poder falar, contar e ser ouvido sobre o Holocausto, sobre os campos de concentração, pois temos um retrato deles de forma fantasiada, e a outra seria como as pessoas passam a acreditar numa ideologia, mesmo que maléfica, como seguem as regras e não se rebelam contra. Talvez por que no real da guerra haviam inimigos, mas entre eles também havia seres humanos. Ao vencedor cabe os privilégios, e ao perdedor os castigos, a derrota, a humilhação, mas o vencedor de hoje é o perdedor de amanhã. E no dia a dia sempre há os que protegem os mais fracos e mais novos, mesmo entre os que são os vencedores, talvez principalmente entre eles, para que possamos sobreviver. Perec escreve, escreve para poder viver. Para lembrar e esquecer, ou esquecer para lembrar. E sua fábula da Terra de W nos serve para compreendermos todos os totalitarismos e por ironia ou uma coincidência que ninguém pode compreender, esta terra está na América Latina, onde tantas ditaduras viraram a Terra de W.

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    Georges Perec

    Nasceu em 1936 e foi um dos grandes inovadores da literatura no século XX. Filho de judeus poloneses que imigraram para a França, perdeu o pai na frente de batalha, durante a Segunda Guerra, e a mãe num campo de concentração. Em 1965, recebeu o prestigioso prêmio Renaudot por <i>As coisas</i>, seu primeiro romance, e, em 1967, passou a integrar o centro de literatura experimental <b>OuLiPo</b> (Ouvroir de Littérature Potencielle), fundado por Raymond Queneau. Sua prosa extremamente lúdica recorre à lógica e à matemática para lançar uma luz surpreendente sobre os detalhes mais repetitivos das sociedades de consumo. Perec morreu em 1982.

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    35 Seguidores

    Georges Perec