A percepção do fluxo contínuo de energias benéficas e transformadoras no planeta e na humanidade.
A Cura da Humanidade -
Trigueirinho
A cura da humanidade Precisamos viver o desapego do que fomos, do que somos e do que pretendemos ser. É preciso que vivamos, por inteiro, o momento presente. Não o momento presente do eu pessoal, mas o de uma realidade maior, que transcende o âmbito humano e tudo o que se conhece. Esse foi o nosso desafio quando ingressamos no planeta Terra. Embora o que se observe externamente seja o veloz agravamento da crise planetária, os homens estão sendo agraciados com sucessivas oportunidades de crescimento e de transformação. Nessas oportunidades, fatos materiais e sutis complementam-se: muitas vezes as mudanças externas são reflexos de processos interiores, e em outros casos servem como instrumentos para que deslocamentos internos se efetivem. Sabíamos que a consciência humana está evoluindo, e que o modo de instruí-la evolui também. Expressar uma existência de plena dedicação ao espírito é um desafio aos homens. Quando finda o ciclo de experiências do ego, a entrega consuma-se, eliminando a ansiedade pelo futuro e dissolvendo as marcas deixadas pelo passado; enfim, apaziguando o indivíduo. Nesse ponto, ele deixa de ter inclinações próprias e livre-arbítrio, e passa a ser regido por desígnios maiores, os quais no decorrer de sua jornada cultivou a aspiração de seguir. Pela entrega, a existência do ser dignifica-se e liberta-se da ilusão. A entrega ensina à consciência que o mais importante não é buscar a evolução, mas servir. A evolução é uma decorrência e não um fim. Assim sendo, desenvolve-se mais um ser que se doa inteiramente ao serviço, esquecido de si, do que outro que a todo custo tenta criar condições para avançar. Os desejos e os pensamentos que em estágios anteriores constituíam fonte de estimulo à ampliação da consciência do indivíduo, se em dado momento não forem subjugados à luz espiritual, transformamse em empecilhos para a ascensão. Depois de vividas certas etapas, é preciso que reconheça a necessidade de libertar-se dos envolvimentos com as forças que circulam no mundo, incitando respostas que não correspondem ao nível no qual já está polarizado. As autênticas realizações de qualidade divina emergem quando os homens encontram o que há de divino em si mesmos e a isso se entregam. Do mesmo modo que os seres humanos estão sendo conduzidos a uma existência superior, a Terra está sendo encaminhada a um estado de consciência constituído de energias puras, desprovidas de violência, ignorância e cupidez. Embora representem o futuro, essas energias desde já permeiam os que por elas buscam. Ao fazermos a oferta do próprio ser ao Plano Evolutivo e ao serviço dele, é necessário imparcialidade e ausência de envolvimento de qualquer tipo. É do silêncio interior que nos vêm as reais indicações sobre o caminho a assumir. No mundo supra-consciente há uma interação contínua de energias e de correntes de vida. Para que se penetre nele é preciso deixar de querer compreender a realidade segundo os padrões da lei de causa e efeito, ação e reação. Muitos seres já não estão sob a influência dessa lei cármica material e portanto é um auxílio ao despertar de seu novo estado que abdiquem dos mecanismos viciosos da mente racional. As disparidades, os pontos de vista, as aspirações, os sonhos e a busca de realização esvanecem-se quando os seres se entregam ao serviço em prol do que é impessoal e onisciente. Tudo o que nos níveis humanos parece relevante perde a importância quando a clareza supra-humana se irradia; permanece apenas a plenitude e a paz. Uma das mais poderosas fontes de conflito do homem é a contínua alimentação de seus sonhos individuais; ele dá um passo significativo quando deixa de querer chegar a algum ponto, de construir algo que nutra em si a vaidade e o orgulho, quando passa a agir de modo preciso e exato para dar forma a uma inspiração superior. A verdadeira oração é um mergulho no vazio e, ainda que aparentemente contraditório, é também o ingresso num estado de plenitude que dissolve da consciência os laços com situações humanas. Essa plenitude esparge-se e promove a ascensão de energias e seres que tenham potencial interno para elevar-se além do ponto em que se encontram. A transfiguração da consciência é um processo sublime que retira os moldes pessoais para implantar um estado de neutralidade capaz de pôr o ser a serviço do suprimento das verdadeiras necessidades que se apresentem. Essa transfiguração não tem como meta transformá-lo segundo um modelo préestabelecido, mas visa aproximá-lo ainda mais da essência interna, que é informal e imaterial. Quando assume a senda interior e por ela prossegue decididamente, o indivíduo se depara, muitas vezes, com trilhas áridas e acidentadas. Enquanto pisar o solo desta Terra partilhará das suas imperfeições; todavia, mesmo que em certas partes do caminho seus corpos se firam, sua consciência pode permanecer intocável, pois guarda o segredo da superação da dor. Se reconhece tal liberdade, a ela se eleva e permanece além dos passageiros sofrimentos do mundo. Para chegar à libertação e à transcendência, é necessário aprender a extrair o bem do que contraria os anseios pessoais, individuais. Com mais facilidade elas são atingidas pelo ser quando ele se predispõe à neutralidade e ao silêncio, do que quando se envaidece com seus conhecimentos e conquistas. Se é perguntado aos sábios aonde pretendem chegar, tem-se como resposta o olhar de paz e entrega dos que confiaram seu destino aos níveis que conhecem o propósito do universo. De onde vem essa capacidade de entrega e fé que permite a um ser caminhar sem antes se assegurar da existência de um solo firme para apoiar os pés? A fé transcende a compreensão, pois não está restrita a esferas mentais. Nasce do conhecimento legado à mônada quando foi criada como reflexo do Absoluto. A alma e a mônada irradiam fé, entrega e serenidade. Quando a energia monádica finalmente consegue penetrar, ainda que de modo tênue, a consciência material do ser, a fé desabrocha, sem reservas e sem nada querer; por ser imanente a ele, a fé o reconduz à íntima e suprema realidade. A fé tem intrínseca em si a capacidade de regeneração da consciência material, e entretecida - ou por vezes unificada - à gratidão, acompanha o indivíduo que se deixa guiar pela sabedoria interior. O controle das forças instintivas e emocionais pode dar-se por meio da atuação da energia mental - apesar de a transmutação delas requerer impulsos de níveis mais elevados. Já a superação do estágio mental só é possível quando a energia interna flui livremente por intermédio do eu consciente. Essa superação não pode ser imposta; ocorre se há abertura, e é só a energia interna que a efetiva. Esta humanidade chegou a um ponto de degradação tal que o retorno à simplicidade tem de ser feito gradualmente, à medida que a consciência consegue estar diante da luz sem se cegar. Para um indivíduo elevar sua atenção e abdicar da carga de conceitos e expectativas que coloca na vida externa, é preciso que tenha fé no trabalho interior e que sua mente não vacile quanto à certeza da realidade imaterial. A humanidade receberá maior bem por meio do exemplo da união com núcleos internos, do que da rigidez imposta por idéias acerca do que deva ser o comportamento de um homem evoluído. A influência de idéias e de conceitos mentais sobre o modo de viver da atual civilização é muito intensa. Não fosse a introdução de correntes energéticas sutis e potentes, realizada por seres evoluídos a serviço na Terra, a vida humana estaria ainda mais desvirtuada pela ignorante condução mental. O nascimento de uma nova consciência está, portanto, ligado a uma reestruturação da mente. Tal reestruturação não significa, todavia, uma reordenação do que existe nos arquivos mentais humanos e planetários, mas trata-se da transmutação da substância desse plano de existência. Assim, técnicas e métodos que vasculhem a mente do ser são retrógrados e negativos para o trabalho de libertação. A reestruturação a que nos referimos baseia-se no esvaziamento, no apaziguamento do deturpado ritmo de reflexões, justificativas, análises e raciocínios. A mente precisa de paz, de reconhecer que há algo superior que a pode redimir, mas que não será complacente com as tendências que ela em geral cultiva. Quando a mente fica diante dessa energia purificadora, ela vivencia uma de suas provas mais árduas. externa do ser. Porém, que poderia perder acercando-se do que lhe dá alento, do que permite a existência de todo o cosmos? O homem tem de aprender a crescer na fé. É a fé que trará serenidade à mente quando esta, temerosa do seu destino, se recusar a deixar a consciência ascender aos níveis onde energias de sabedoria e clareza poderão curá-la. A resistência da mente a permitir essa elevação causa o sofrimento. Seu apego àquilo a que já está acostumada fere a essência que tenta alçar vôos espirituais. A insistência em permanecer limitada à vida formal tolhe a ação de energias evolutivas. O milagre é essa possibilidade plena de uma lei imaterial expressar-se, de um desígnio superior cumprir-se na superfície planetária, onde as leis da vida concreta ainda regem o homem e sua mente racional. Os milagres são a normalidade de uma vida vinculada ao mundo interno, pois deixa de haver limites entre vontade e manifestação, entre essência e forma. A unificação existente entre as energias que circulam nos níveis internos permite que a vida neles presente seja harmonia em ação, e seja também poder criativo e dissipador, pois está além das formas que assume para consumar a obra. A fim de que um indivíduo deixe de constituir um obstáculo à evolução planetária e passe a colaborar com ela, é necessário que transcenda a identificação com a mente racional e se abra aos desígnios da própria mônada. A simplicidade retira do espelho interior do ser as manchas e as imperfeições que ofuscam ou distorcem o que nele se reflete. É ela que silencia os ruídos que abafam a voz interior, deixando então que essa voz se revele, que afine todos os corpos em uma única vibração, que os alinhe com um mesmo ponto, que forme um canal que será a ligação da consciência com sua verdade mais profunda. Essa voz interior do ser comunga da sabedoria de outras, fala por muitas consciências, não permanece circunscrita em si mesma. Por isso, no mundo supramental não se podem atribuir realizações a uma só consciência. O mundo supramental dissolve a individualidade numa comunhão onisciente, numa união em que a integridade de cada ser é mantida, e que entretanto lhe permite encontrar a si mesmo nos demais. Em cada passo efetivado na vida de um indivíduo está a energia de miríades de consciências que se desenvolvem em comunhão com ele. Por outro lado, as ações positivas por ele assumidas e realizadas refletem-se em inúmeros níveis da existência. Em virtude disso, é importante que se abra a expressar padrões de conduta elevados: o positivo sempre leva a algo mais positivo. Tudo, realmente tudo, pode transformar-se. É preciso ter sempre essa perspectiva em mente, e saber que para a essência interior nada é impossível. E, então, sendo cada um o arauto da perfeição, como na verdade é, o que se tem a fazer é deixar que essa perfeição surja: assumi-la, não como uma teoria acerca da transcendência do homem, mas abrir-se a ela dia e noite, quando se move um dedo ou quando se está diante de uma interseção de mundos que propicia elevação. O homem precisa aprender que a vida lhe é revelada conforme o seu grau de abertura. Quando está pronto para mergulhar na bem-aventurança, o que encontra, o que irradia e o que estimula é ascensão. Antes de a clareza implantarse em um ser que busca a luz, ele vive fases em que as forças materiais preponderam sobre a energia interior, causandolhe oscilações e instabilidade. Muitas vezes é controlado por essas forças, que têm como aliados os seus hábitos, conceitos, o seu apego ao passado e preocupação pelo futuro. Assim controlado, ele não vive o real, mas flutua na superficialidade da existência, sem conhecer verdadeiramente o que o sustenta e o que impulsiona a trajetória evolutiva de todas as partículas. Já no universo unificado, que o ser atinge após imbuir-se da energia essênia, a consciência infinita está presente em tudo. Nele não há mais o que controla e o que é controlado, há tão-somente uma união em que as partes formam um todo coeso, integram-se e somam suas potencialidades para atingir a meta da evolução. Quando um indivíduo compreende um fato com base nas suas crenças pessoais ou quando age segundo seu conhecimento humano, ele se deixa conduzir pela lei do carma material e permanece circunscrito à necessidade de reequilíbrio, ao retorno das ações que praticou. O ser tem de se deixar esvaziar por inteiro, e não limitar aquilo que o conduz ao início do caminho. Tem de, com serenidade e firmeza, viver essa sagrada destruição; e deve, também, ter paciência com seus corpos, que temem, sofrem e se assustam com a possibilidade de se verem desamparados, pois todos os seus costumes lhes são tirados, para que só o novo prevaleça. É preciso ter disponibilidade a abandonar não somente as coisas materiais, mas de modo especial as idéias, os sentimentos, as considerações sobre si mesmo, os costumes, e todas as forças que atavicamente estão presentes nos corpos.
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