[...] a proposta de Christiane é possibilitar que ele [infrator] se faça ver, dando-lhe a palavra, sempre. É com a palavra, com a voz, que o sujeito pode aparecer. A violência em nome da lei, imposta, simplesmente realimenta uma estrutura de irresignação que (re)volta mais e mais. Nessa abordagem, apresentada por Christiane, ela mostra que não se pode gozar tudo, pois há um impossível a se gozar em sociedade, bem como que aniquilar sujeitos mediante a patologização, submetimento alienado e violento, de nada adianta. Busca-se, ao contrário do discurso padrão, construir um laço social, e não impor o respeito incondicional kantiano que, por básico, opera na lógica: não discuta, cumpra. Almeja-se que o sujeito enuncie seu discurso e não despeje enunciados, como diz Lebrun, ocupando um lugar e uma função a partir da leitura cruzada com a psicanálise. A aposta que se faz, nesse contexto, pois, é a de reconhecer o outro, a alteridade, à medida que se descobre como sujeito. Dito de outra maneira, aceitar o outro sob a forma de uma relação conflituosa, para somente assim ocorrer o laço social. Do contrário, há intolerância. Sempre. Zizek afirma que é preciso, de algum modo, aceitar a violência, porque a tolerância a distância, própria do modelo liberal, é muito mais cínica. Enfim, arriscar o impossível: aceitar e relacionar-se com o outro singular. Alexandre Morais da Rosa
O CAMPO INFRACIONAL: sistema de justiça e a prática judiciária à luz da psicanálise -
Christiane Whitaker
Casa do Psicólogo
2010
260 páginas
8h 40m
ISBN-13: 9788562553042
Português Brasileiro
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