Certa feita, Rubem Alves afirmou que o traço que distingue os poetas de todos os outros é a capacidade de, em meio a uma variedade de coisas que nos distraem, extrair o essencial e chamá-lo pelo nome. Na obra de Liliane Borges, vemos nomeados com beleza os dilemas da alma humana fragmentada: morte/vida, peso/levez, saudade/presença, aceitação/mudança, voar/rastejar, fim/princípio, o que se precisa /o algo mais, ser/não ser... Dilemas que demandam enfrentamento face-a-face: "Não, não podemos desviar das pedras..." Convidando a uma redefinição do nosso olhar e da nossa postura afeiçoada aos fragmentos: "Ninguém tem nada além do instante... Sou o que vejo, o que sinto, o que não entendo, o que não preciso". Uma narrativa metafórica intensa, atemporal, que nos remete à demanda essencial e existencial da escolha. Gledson Lobato
