Ronnie Von - O Príncipe Que Podia Ser Rei

    Antonio Guerreiro, Luiz Cesar Pimentel

    Editora Planeta
    2014
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788542203882
    Português Brasileiro

    Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira, o Ronnie Von, nasceu em Niterói , em 17 de julho de 1944. Ronnie Von queria ser piloto. Prestou exame para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar de Barbacena e, aos 17 anos, fez seu primeiro voo sozinho, num Folker T-21, que ele narra como um dos dias mais emocionantes de sua vida. Mas Ronnie Von logo foi forçado a assumir os negócios da família e a estudar economia. Sua carreira como cantor começou por acaso no bar “O Beco das Garrafas”, quando foi obrigado a dar uma canja e acabou descoberto por João Araújo, diretor artístico da Philips (atual Universal). A primeira gravação foi um fenômeno, e Hebe Camargo lhe deu o apelido pelo qual é conhecido até hoje, Príncipe. Contrariando sua família, Ronnie Von começou sua carreira no auge da Jovem Guarda, embora nunca tenha participado do programa apresentado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléia. De modo independente e inesperado, fez grande sucesso com as canções “A praça”, de Carlos Imperial, e “Meu bem”, uma versão em português do próprio Ronnie Von para a música “Girl” dos Beatles. Em 1966, comandou o programa “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, onde lançou artistas importantes como Os Mutantes, Eduardo Araújo, Os Vips, Martinha, Jerry Adriani e Gal Costa. Suas experiências como “pai e mãe” resultaram no livro “Mãe de Gravata”, e a ideia de apresentar um programa feminino veio do amigo e publicitário Washington Olivetto. Hoje, Ronnie Von apresenta o programa diário “Todo Seu”, na TV Gazeta.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (7)Ver mais
    Luis Eduardo Souza Costa picture
    Luis Eduardo Souza Costa21/08/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Príncipe coroado

    Durante um bom tempo, notadamente na minha infância, Ronnie Von foi a mais completa tradução de um quadro clássico do programa Silvio Santos, o “Qual é a Música ?”. Embora exista uma velha controvérsia, o cantor Nahim chegou a processar o SBT alegando ser também vencedor, Ronnie foi, oficialmente, o único a atingir vinte e cinco vitórias consecutivas e sua imagem, acompanhada da indefectível “Tranquei a vida”, esteve associada a uma coroa, prêmio máximo da atração. Como se vê, Príncipes também podiam ser coroados. A trajetória do niteroiense Ronaldo Nogueira, seu verdadeiro nome, está condensada em “Ronnie Von- O Princípe que Podia ser Rei” (Planeta, 2014). Assinada pelos jornalistas Antonio Guerreiro e Luiz Carlos Pimentel, o pequeno volume é antes um perfil bem escrito e contextualizado do que uma lauta biografia que esgote o personagem. E, diga-se de passagem, que personagem !! Nascido em uma família de posses, dono de participações em bancos de investimentos e financeiras, Ronnie se formou como aviador na escola de Cadetes da Aeronáutica mas, embora a paixão pelas aeronaves fosse evidente desde cedo, seguiu o roteiro familiar pré estabelecido e foi cursar economia. Bem educado e culto, o jovem também era um amante das Artes, envolvido principalmente em literatura e Jazz. Sua guinada para a música popular se deu com a descoberta dos fab four através de uma namorada. Ronnie Von , assim como milhões de outros garotos ao redor do mundo, mergulhou na onda Beatle e nunca mais saiu de lá. Graças à seu pai que atuava em uma representação diplomática na Inglaterra, passando cerca de quinze dias por mês em Londres, Ronaldo passou a receber ´praticamente em primeira mão todos os lançamentos da banda mais importante do planeta, álbuns que, no barato, sairiam por aqui meses depois. O moleque pirou. Com seu inglês perfeito, aprendeu as músicas e passou a cantar “de brincadeira’ entre amigos, até que um dia, intimado pelo tecladista da banda Brazilian bitles (sic), foi chamado ao palco no meio de um show no beco das garrafas (!) e atacou de “You´ve got to Hide Your Love Away”, faixa de “Help”. Como sempre acontece nos filmes e, de vez em quando, na vida real, João Araújo, então diretor da Polydor e já pai do menino Cazuza, estava na plateia, gostou do que viu e o convidou para um teste na gravadora. Em estúdio, Ronnie reprisou o número do show do beco e gravou uma versão em português, assinada por ele mesmo e por seu pai, de “Girl”, outra da banda de Liverpool, mas do LP Rubber Soul, recém lançado. Um dia dirigindo pela Avenida Princesa Isabel, o então economista ouvia um programa musical na Rádio Tamoio quando o locutor anunciou uma novidade : era sua versão de “Girl” (Meu Bem), lançada pela Polydor à revelia do (agora) cantor que não tinha nem sido informado do resultado do teste. Ronnie quase bateu com o carro. Daí para uma carreira que o colocaria como um dos principais ícones da música jovem brasileira dos anos 60, talvez o único a rivalizar de verdade com Roberto Carlos, foi um salto. Em pouco tempo teria mais discos nas lojas, o próprio programa de televisão (aos sábados na mesma Record que abrigava a “Jovem Guarda” aos domingos) e um mega sucesso, composto por Carlos Imperial, que nada tinha a ver com rock e pegava carona na onda de “A Banda”, de Chico Buarque, “A Praça”. Clássico. Os autores também abordam a famosa, e hoje cultuada, fase psicodélica do cantor, que, assim como seus ídolos ingleses fizeram a partir de 66-67, rompeu radicalmente com sua produção anterior e apostou alto em uma sofisticação musical traduzindo para as bandas de cá a misturada do rock aos elementos da música clássica e outros gêneros, saindo daí o seminal disco “Ronnie Von”, de 1968. Infelizmente não vendeu nada. O público ainda queria o ídolo teen de “A Praça “ e “Meu Bem”. Ronnie ainda insistiria mais dois anos nessa pegada, embora um pouco mais suavizado em sua revolução musical, até voltar para as hostes seguras das “tolas canções de amor”. O artista seguiria com relativo sucesso ao longo da segunda metade dos anos 70 e parte dos anos 80, superando algumas crises pessoais e uma grave doença neurológica, até se reinventar novamente na década de 90. Convidado pela rede CNT, Ronnie assume um programa diário baseado em um livro sobre sua experiência como pai com a guarda dos filhos, “Mãe de gravata”. O traquejo de anos no contato com o publico em shows e apresentações garantiu o sucesso da atração. Passando depois pela Rede Mulher, o , agora apresentador, se fixou na rede Gazeta onde permanece até hoje como uma das mais longevas atrações da TV aberta. Todas essas reviravoltas em uma carreira incomum são contadas em pouco mais de 150 páginas com dois belos cadernos de fotos coloridas que ilustram exemplarmente 70 anos de vida e 50 de carreira. Em anos recentes, uma tribo mais jovem vem redescobrindo a obra de Ronnie Von, principalmente em sua fase psicodélica. Essa onda gerou o relançamento de álbuns, gravação de um tributo com bandas alternativas e um documentário onde o próprio artista, depois de anos sem gravar, interpreta novamente algumas das faixas mais significativas daquele período. O Pequeno Príncipe está na moda e, assim como os Reis, não perde a majestade.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 39
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas0%