Em entrevista concedida ao autor, que foi seu secretário durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco descreve seus encontros com Nossa Senhora, desde sua infância até sua missão atual como Bispo de Roma. Fala de suas orações e devoções marianas preferidas e destaca a importância de Maria na vida da Igreja e dos cristãos, o valor dos santuários marianos e da piedade popular, o lugar da mulher na Igreja e muitos outros temas da atualidade. Indo além da entrevista, o autor consegue desbravar os caminhos que conduzem à mente e ao coração mariano do Papa Francisco e convida o leitor a fazer o mesmo percurso, recorrendo sempre ao cuidado maternal de Maria.
Ela é minha Mãe! - Encontros do Papa Francisco com Maria
Pe. Alexandre Awi Mello
Faz tempo que não leio um livro sobre Nossa Senhora e, também faz tempo que um livro sobre a devoção mariana não me toca tanto. O Papa Francisco faz parte da minha pesquisa de mestrado e, com essa "desculpa" resolvi ler o livro. E como me fez bem! Pe. Alexandre Awi entrevistou o Papa por duas horas. Conversaram apenas sobre sua devocação mariana: como nasceu, os santuários marianos preferidos, a piedade popular, os ícones marianos preferidos, etc. Uma das afirmações do Papa me calou fundo: "Se você quer saber quem é Maria, vá ao teológo e ele lhe dirá exatamente quem é Maria. Mas se você quer saber como amar Maria, vá ao Povo de Deus, que isso ele lhe ensinará melhor". E, depois, ao falar sobre sua devocação à Nossa Senhora Desatadora dos Nós (fundamentada numa afirmação de Santo Irineu de Lyon): "Gostei da imagem, gostei do fato de que ela, ao trazer Cristo, desate os nós! Hoje há tantos racionalistas..." (p. 129). Evidente que Francisco não desvaloriza a razão e a reflexão, pelo contrário, aqui o uso é perjorativo. Isso é tudo que não quero ser: racionalista. Se o conhecimento e o estudo não for caminho para Deus, não me interessa. É bom ter conhecimento e estudar, purifica e amadurece a fé, mas é perigoso quando passa a ser usado para negar e desqualificar devoções e ritos que são portadores do mistério de Deus. A Mariologia enquanto área da Teologia é fundamental para que Maria ocupe o lugar que é dela, também por isso gostei tanto do livro: foi a conversa de um mariólogo e de um devoto de Nossa Senhora com grande conhecimento. E o diálogo é comovente, fundamentado e inspirador. Se você tem amor por Maria; se você gosta do Papa Francisco, leia; se você que conhecer melhor os dois, leia também. A mim fez muito bem! *** "Ela é quem nos leva ao Senhor; é a mãe, é aquela que sabe tudo. Por conseguinte, rezar também a Nossa Senhora e pedir-lhe que, como mãe, me faça forte. Isto é o que penso sobre a fragilidade; pelo menos, é a minha experiência. Uma coisa que me faz forte todos os dias é rezar o terço. Sinto uma força tão grande, porque vou ter com ela, sinto-me forte" (p. 48). *** "Maria é a que sabe ler o acontencimento com a promessa à luz da história da salvação. Ela sabe ler... Esse tentar interpretar o que foi acontecendo, à luz da fé, em meio a tantas contradições, produz nela, diz João Paulo II, uma peculiar fadiga do coração" (p. 219).
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