Voltei a mim mesmo, devagar. Primeiramente, pareceu-me sonhar num entendimento tarjado de neblina grossa. Observava que mãos amigas me socorriam, com massagens e até mesmo com injeções de substância curativa e nutriente. Até que despertei. As perguntas eram minhas. Os petitorios foram meus. Não me admitia morto. A vida estava comigo, com o mesmo calor de sempre. O raciocínio funcionava na base do discernimento. Foi o vovô Abrahão quem me elucidou, pouco a pouco. Ao reconhecer-me em outra vida ou na continuação da existência que tivera, era natural me afligisse pelos pais queridos. Aquela alma caridosa e bendita a quem chamamos por Mãe Maria me conduziu ao nosso recanto doméstico e chorei com as lágrimas da Mamãe e com a tristeza molhada de pranto que via em meu pai. Foram instantes difíceis para mim. Tudo sucedera muito de imprevisto e lamentava, de minha parte, tudo houvesse acontecido assim. Abracei os irmãos queridos, Marcio e Fábio, com aquela ânsia de ficar, pois ainda não havia aprendido que a libertação do corpo físico me ofereceria novas oportunidades de trabalho. Estejam certos, porém, os pais queridos que, a breve tempo, me transformei, no alicerce de uma compreensão melhor. Os nossos familiares me esclareceram que atravessara a iminência de uma parada cardíaca, sem possibilidade de retorno à normalidade orgânica.
Lar-Oficina - Esperança e trabalho
Chico Xavier
Andre Luiz
1988
191 páginas
6h 22m
ISBN-3: 000
Português Brasileiro
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