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    RedruM - Contos de Crime e Morte

    Bia Machado

    Caligo
    2014
    150 páginas
    5h 0m
    ISBN-13: 9788567006024
    Português Brasileiro
    3.7
    9 avaliações
    Leram14Lendo0Querem11Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados11Avaliaram9

    Sete contos dão corpo a "RedruM – Contos de Crime e Morte" que, naturalmente, transitam pelos campos do assassinato em seus enredos. Em "Refração", conto que abre este livro, Diogo Bernadelli sustenta uma narrativa caleidoscópica de descrições cruentas e surpreende ao fazer, por meio de um jogo de perspectivas, de um mesmo acontecimento três distintos. Questionando a gênese da culpa, "Segunda Sombra", de Vitor Toledo, narra acontecimentos dúbios que deixam nebulosa a fronteira entre ilusão e realidade. Afugentando o óbvio, "A Noiva Liberdade", de José Geraldo Gouveia, apresenta uma forma de homicídio que, se menos física e direta, não é menos brutal. "Benevolência", conto de Bia Machado, desorienta o leitor ao arquitetar uma trama onde não há terreno seguro para sustentar uma crença, e a desconfiança é presente. Pedro Viana e Fábio Shiva foram os responsáveis por, talvez - visto que esta conclusão caberá apenas ao leitor-, incluir o sobrenatural em suas linhas, as quais dão corpo, respectivamente, os contos "A Vidente" e "A Marca". No primeiro, lidamos com a culpa em um crime ainda não, e talvez nunca, cometido. Já no segundo, civilizações antigas e outras formas de vida sustentam uma trama que, antes de tudo, discorre sobre relações interpessoais. Ímpar neste volume, "Uma Noite no Farol", de A. Z. Cordenonsi, trouxe consigo a penumbra e o alerta dos clássicos textos detetivescos. O que seria imperdoável de se passar sem, em se tratando de um livro sobre crimes. Contudo, ciente disto, não tenha medo de um olhar torto por segurar este livro ensanguentado. Os vizinhos não bisbilhotarão pelo vão da cortina. A polícia não baterá em sua porta. Ninguém saberá de nada. De agora em diante, tudo o que encontrar nestas páginas será mantido no sigilo dos cúmplices. (Orelha do livro, texto de Vitor Toledo) - Lançamento em agosto-2014. - Maiores informações: http://caligoeditora.com/catalogo/redrum/

    Resenhas (1)Ver mais
    Rodolfo Luiz Euflauzino picture
    Rodolfo Luiz Euflauzino17/11/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sangue a cada passo

    Contos são beijos roubados no portão, é preciso aquela empatia, aquela conexão temperamental “autor/leitor”, que transforma páginas e mais páginas em magia. E isso aconteceu comigo neste livro. Em mais um presente da Editora Caligo, vi-me arremessado sem dó nem piedade no meio da tormenta que é Redrum: contos de crime e morte (150 páginas), coletânea organizada por Vitor Toledo, também um dos autores. Relativamente curto, porém com um apetite imenso pelo crime, o livro possui sete contos bem diferentes, com um traço peculiar que os liga: sangue! A visão especular transforma Redrum em Murder, altamente apetitoso para todos aqueles que lembraram a cena de “O iluminado” de Stephen King. Quem não conhece, não haverá problemas, irá saborear da mesma forma. Refração - Diogo Bernadelli. A estrutura do conto me fez lembrar o filme “Irreversível” (inclassificável). Cru e violento é uma pancada no plexo solar. Com flashbacks a todo momento picando seu andamento para que possamos entrar na mente e na perspectiva de cada personagem, vai se desenrolando sem dó, só dor. A paralisia diante do impensável. O descongelamento lento e gradual, antinatural, num corpo cheio de droga: “Meu coração torna a bater atrás dos ouvidos, ensurdecendo-me momentaneamente para o mundo de fora e abrindo-me a todas as emoções, que por sua vez se perdem furiosamente em um ralo no meu peito. Não há nada dentro de mim e, por outro lado, isso é muito mais que o suficiente. O que diabos você está esperando?, pergunto-me, então me liberto daquele cimento psicossomático que me envolve dos joelhos aos pés. Disparo para baixo, vencendo três degraus da cada passada. As calças encharcadas de cerveja, o coração batendo, os ouvidos parcialmente imprestáveis, os gestos como reflexo do medo. E o corpo um manequim da droga.” Segunda sombra – Vitor Toledo. Com grande habilidade, o autor vai alinhavando a mente de um personagem complexo e doentio que se arvora no direito de ser Deus — ter a vida e a morte em suas mãos. A epígrafe do início já nos dá o gostinho do que vem pela frente: “Decididamente, não compreendo por que é mais glorioso bombardear uma cidade do que assassinar alguém a machadadas.” (Crime e Castigo – Dostoiévski). Escrita vigorosa, a lembrança do sangue aguça e dirige a atenção do leitor: “Se escrevo estas linhas é porque sucumbi à utopia de buscar alívio sem trair o meu silêncio. Bem sei que isto não me traz nenhuma dignidade... O tempo pode ter depositado uma fina camada de poeira sobre estas imagens, no entanto jamais me abandonarão por completo. Já o sangue... Em minhas lembranças, ele nunca descolore. Sempre o mesmo escarlate morno e denso.”

    2 curtidas

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    3.7 / 9
    • 5 estrelas11%
    • 4 estrelas67%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas11%
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    Bia Machado

    Formada em Pedagogia pela UFMS, professora da rede pública municipal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde mora com o marido e as três filhas. Vive com a cabeça cheia de histórias, que vai passando para o editor de texto. Quanto mais pessoas lerem o que escreve, melhor. Não quer guardar suas histórias apenas para si, esse é o motivo de divulgar sua escrita na internet e em livros.

    12 Livros
    10 Seguidores
    Mato Grosso, Brasil

    Bia Machado