Altos e baixos: um título alternativo ao livro! Todos estes a nível psicológico, alguns a nível físico... Uma Montanha Russa de indignação, raiva, pequenas surpresas e incertezas!
O final da Montanha Russa nos espera, talvez, como um pote de ouro nos espera no fim de um arco-íris... Uma boa comparação, mas que não se reproduz neste final: as emoções à flor da pele, mas que desapareceram lentamente, de forma rápida... Uma contradição, diria... O livro está cheio delas... Nas personagens, mais concretamente.
'Hercule Poirot always pays attention - to everything.' - e nos faz prestar atenção a tudo também! Não podemos levar nada por garantido; não podemos, meramente, escrever o que os nossos ouvidos nos dizem e o que os nossos olhos nos guiam e, de seguida, fechar o livro e colocar na estante... O livro nunca se deve fechar, o que escrevemos não é garantido que não possa mudar! Poirot, todo em si, uma personagem com uma inteligência absurda, convida todos os que estão atentos para continuarem a assistir ao resto da peça, e não garantir o fechar das cortinas como um final... Uma inteligência cativante; ao mesmo tempo deselegante. Nem todos apanham as palavras mal elas saem da boca... Para uns, as palavras seguem o vento, perdem-se em aventuras e desânimos, e só depois deixam-se ser apanhadas, ouvidas!
Edward, muitas vezes, deixa as palavras voarem e seguir o longo, por vezes, caminho até ao seu consciente, muitas vezes inconsciente... As tais contradições! Para um detetive, Edward peca muito! É a falta de ação, as desculpas prontas na ponta da língua, o negar-se a querer saber, inconsciente...
Inconscientemente consciente era Jennie, uma âncora desta história! Jennie, uma personagem arrepiante, de certa forma, foi quem nos introduziu a toda esta Montanha Russa fisicamente dura de ultrapassar... Um soco no ar que em nada vai dar... Ao longo da história, fez questão de marcar presença, mesmo não sendo uma presença escrita, mencionada... No fim, decide surpreender todos, de maneira um pouco chocante, e com certeza mais arrepiante! Foi ela, principalmente, que nos prendeu à história, nos deixou em intrigas, mas que também afundou a história... Prendeu-a num buraco de questões, sem luz para nos guiar...
A monstruosidade está presente em todas as caraterísticas de todas as personagens: no que bom entendemos e no que mau consideramos!
A genialidade percorre este livro tal como as mentiras de Jennie percorrem todas as suas veias! A escrita enigmática, carregada de detalhes e ligações, leva a genialidade a outro nível... Contudo, a genialidade peca nas várias coisas que descreve, o muito escrever e pouco explicar, a escrita carregada, perdida, inconclusiva... Inícios sem fins, fins repentinos, onde todos os pontos são substituídos por interrogações...